はい、私の主。 ♥: ボール-マスク★:: Masquerade!
Uma noite tranquila, mas um tanto alegre para todos. Ciel e seu mordomo Sebastian estavam dentro de uma carruagem, guiada por um velho homem sorridente. Atrás, havia uma outra carruagem com os 4 outros empregados da mansão Phantomhive: Meirin, Finnian, Bard e Tanaka, sorridentes. Porém, não…
Cada passo ao lado que dava, mais e mais ele tentava ver, pela frente de seu mordomo, a presença tão esperada que era de Alois e Claude, que demoravam para aparecer. Isso o irritava de um jeito que não podia suportar, parecia proposital toda essa demora ou como se pudesse sentir que estivessem armando alguma amadilha enquanto estivessem distraídos com a festa. Era fato que não podiam relaxar ou achar que tudo estava bem, mesmo com ele tendo se rendido e tudo o que houve dias atrás, muitas coisas poderiam ter mudado. Pelo menos, o mordomo e o loiro voltaram a se unir, ou seja, não tinha toda aquela melancolia, podiam ter mudado tanto positivamente como negativamente. O lorde mal ficava atento à dança e nem ao olhar provocador do mordomo, até mesmo se esqueceu da péssima fantasia que foi forçado a vestir, só ficava de olho em qualquer movimento suspeito. Seus empregados já tinha ficado para longe, talvez fazendo algo como admirar toda a mansão ou qualquer coisa que provavelmente Ciel não gostaria de ver. Lizzy também não dava nenhum sinal de presença, provavelmente ele nunca o reconheceria com aquela fantasia, mesmo sendo usada na segunda vez; ou estivesse até cheio para ser visto. Pouco lhe importava, quanto menos a ouvisse e fosse atrapalhado, melhor seria para continuar com o caminho livre para se manter atento com qualquer coisa que eles pudessem fazer. Não estava nem aproveitando a noite, até Sebastian estava relaxado, ah … era difícil vê-lo mostrar preocupação, inclusive isso era motivo para se sentir irritado.
– Pare! Eles chegaram, Sebastian. – E mesmo com a música continuando, muitos dos casais paravam e viam lá do topo da escada os dois: Alois Trancy e Claude Faustus. Um enorme sorriso estampava na face do menor, que acompanhado do ainda frio e quieto demônio, chamavam toda a atenção para eles. As unhas de Ciel apertavam as mãos de seu mordomo, que não disse nada, apenas acompanhou eles. Tão diferente. Diferente daquele outro estranho dia, quando Alois estava em lágrimas e depressivo, enquanto o mordomo Claude o perseguia para pegá-lo de volta; tudo sem resposta, mas faz parte do passado. – Que …?– Sussurrou, apertando mais as mãos de Sebastian e mordiscando o canto dos lábios. Todo seu nervosismo foi por causa de quando os dois olhares se cruzaram, o loiro apressou mais seus passos - até mesmo se afastando de Claude - e com um sorriso maior e a ponta das bochechas coradas, desceu as escadas indo até ele, sem nenhuma vez tirar os olhos de seu rosto. Os outros convidados até notavam a enorme felicidade que de repente se deu nele, que indiscretamente, mostrava que iria até o menor na mesma hora. ”O que ele quer?!” - E mais aflito ficou.
Alois Trancy, então, finalmente surgia na festa. A música logo foi abaixada e todos pararam de dançar e ficaram a observar o garoto de pé no topo das escadas, com seu mordomo logo ao lado. Assim como todos, Alois estava sorridente e, assim que o loiro reconheceu Ciel -mesmo este estando fantasiado-, largou a mão de Claude e foi descendo as escadas correndo em direção ao outro. – C-CIEL! VOCÊ VEIO! – Gritou, agarrando o garoto pelo pescoço e girando no meio do salão. Ninguém, nem mesmo Sebastian estranhou aquilo; apenas Ciel que ficava de olhos arregalados e incapaz de se mover por conta do abraço. Atrás dos dois, Claude se aproximava, mas não estava fantasiado. Já a roupa de alois era um conjunto todo roxo, sua cor favorita, com alguns detalhes em preto e vermelho, mais uma cartola com asas de morcego no topo e presas em suas costas. Era fofo.
Logo Alois se desagarrava de Ciel e voltava a segurar a mão de Claude. – Obrigado por virem. É como um agradecimente, ne, Claude? – Então, a rivalidade de fato se foi e Alois finalmente se mostrava feliz como nunca. Ter Ciel em suas mãos, se vingar de todos que o corrompeu, matar Sebastian … Não, nunca foram desejos do loiro. Ele só tinha um desejo: Ser amado por seu mordomo, quem o salvou de todos os abusos e violência. E agora que conseguiu, já não tinha que se preocupar com mais nada. Vendo que os outros dois se afastavam e Sebastian dizia algo no ouvido de Ciel, Alois, um tanto curioso, apenas agarrou o braço de Claude com encarando-os. Este, porém, logo pediu uma permissão para sair e ir conversar com Sebastian que já voltava a encará-los, sorridente. – Ah … Então, Ciel será minha dama! ♥ – E puxou o outro até um canto do salão, se afastando dos dois mordomos, que passaram a se encarar.
Ah, mais uma vez Alois não conseguia se controlar como sempre. Aquela mesma atitude toda vez acontecia quando era anfitrião de uma festa com tanta classe, sendo escandaloso e não contendo o que sente, e como o mordomo já esperava, a presença de Ciel Phantomhive seria um motivo para ele ficar daquela forma. Assim como o loiro, logo reconheceu o lorde que estava fantasiado e de mãos dadas com o outro demônio, Sebastian. Sim, isso de alguma forma o deixava com mais ânimo em participar mais da festa. Discretamente, sorriu rapidamente e descia também as escadas; só que em passos largamente mais devagar que de Alois e mais quieto. Esperou toda a estranha e inconveniente - para o Phantomhive - recepção tão animada do outro, que abraçava e alegremente agradecia por estarem lá, enquanto Sebastian aproximava-se e dizia algo nos ouvidos do lorde.
– My highness. Poderia me permitir um momento à sós com Sebastian Michaellis? Não demorará. – Propositalmente, interrompeu tudo o que ele queria dizer em segredo ao menor. Esperando em ver o mesmo rosto provocante de sempre, foi encarando pelo simpático e tradicional sorriso de Sebastian que sempre soava um tanto irônico, já que independente da situação, sempre esboçava o mesmo. Chegava a ser irritante, que droga! Aquilo lhe trazia até mesmo formidáveis lembranças daquele dia na mansão de seus possíveis ”antigos inimigos”, e lhe lembrava de como as coisas acabaram meio incompletas e interessantes e naquela noite, longe dos outros dois, seria uma situação perfeita.
– Dessa vez, estamos agora na mansão de Alois Trancy, e não mais onde você poderia dar qualquer ordem que desejasse. – Arrumando os óculos, e aproveitando a chance dos outros convidados estarem distraídos ou com a comida ou e a dança em pares, arrogantemente e até ”feliz” por estar tendo aquela grande chance, pôs suas mãos por trás das costas do mordomo e forçou-o para frente. – Ainda não esqueci o que aconteceu dias atrás quando tive que resgatar minha majestade. Só que … ainda tem mais o que fazer. Vamos para fora. – Sequer esperou um ”sim” ou ”não de Sebastian, apenas continuou caminhando e viu que o outro assim também fazia. Preferiu não olhá-lo ainda, já que provavelmente, veria o mesmo sorriso. Tantas idéias apareceram a partir do quanto estavam mais distantes da parte interior da mansão.
– Hm? – Com o mesmo sorriso de sempre, passando de desentendido ao ouvir as palavras do outro. – Isso é um baile, tente não tirar a diversão e o sorriso das pessoas. – Disse, calmamente. Então sentiu ser empurrado pelas duas mãos do outro mordomo sobre suas costas. Em passos calmos, foi indo até a saída e dirigiram até o jardim com o lago logo à frente. – Vocês possuem um belo jardim, mas … É aquela mulher quem cuida das rosas, não é? – Perguntou, referindo-se à Hannah, observando cada rosa de cores diferentes sobre o jardim. Já se afastando de Claude, andou até as rosas brancas, lembrando da paixão de seu lorde por elas. Suspirou e retirou, de uma de suas mangas, uma pequena tesoura especialmente para cortar as flores; servia também de “arma”, caso Claude perdesse o controle perto de Ciel. – Algumas já estão mortas. Outras com manchas … – Disse, num tom um tanto sereno quanto provocante. Ele, então, começava a cortar cada rosa manchada e morta pelo caule e jogando-as no chão, para que qualquer outro empregado da mansão Trancy as recolhesse. Aparentava não dar a mínima para a presença de seu “inimigo” logo atrás, afinal, este sabia que Sebastian estaria sempre preparado para qualquer coisa. – Fico feliz que tenha finalmente reconhecido seu mestre. E por ter aprendido a se controlar perto do meu Bocchan. Não seria nada bom atrapalhar um baile tão divertido com uma luta infantil logo provocada por você, caso tentasse algo para cima de meu lorde. – Assim que terminou de fazer a “limpeza” nas rosas brancas, dirigiu-se até as amarelas e recomeçou.
– E não precisa agradecer, é uma forma de agradecimento, apesar de aprender a se controlar fosse mais uma obrigação sua. Mas, então … O que queria falar comigo? – Perguntou. Tomava todo cuidado para não ser perfurado pelos espinhos, enquanto esperava a resposta do outro, mas o silêncio acabou tomando conta entre os dois. Apesar de aparentar estar calmo, Sebastian sentia um alívio pelo outro não ter reagido contra si pelo que falou à pouco. Sebastian estava no território de seu inimigo, não saberia como se defender muito bem, ainda mais por estar “fantasiado” e não estava tão “armado” como ficava com suas roupas normais de mordomo. Ouvindo os passos do outro sobre a grama, percebia que Claude se aproximava, ainda devagar, sem dizer nada. Preferiu não se virar: Apenas continuou com seu “trabalho” e esperou pela ação do outro.
– Sim, é ela. – Em tom impaciente, respondeu à pergunta feita pelo mordomo Phantomhive. Uma pequena irritação, que não era demonstrada em sua calma e fria expressão, começava a aparecer só por ele já ter tocado no assunto da decoração, o que significava que ”rebateria” a mesma provocação que havia feito. ”Ele só pode estar brincando. Que demônio mais … !” - E então, viu Sebastian tirando das mangas uma grande tesoura, idêntica daquelas de cortar jardim. Isso só podia ser uma piada! Quem por acaso vai em uma festa com uma arma prática dentro de uma fantasia? Os dois não eram idiotas, isso sim era um fato. Eles não abaixariam a guarda daquela forma; mas o fato de estarem à sos o acalmava. Ignorando as críticas feitas pelo outro, Claude viu cada planta morta e sem cor sendo jogadas no chão junto com o caule, já formando uma pequena relevância. Sua mãos se fechavam para controlar toda a raiva que sentiu com aquela ousadia de Sebastian, sendo que ao mesmo tempo, aquilo era um detalhe que o agradava. Toda a implicância, o jeito irônico de sempre agir, fazia com que ele ficasse mais interessado naquela situação, e quem sabe … em Sebastian Michaellis. Apesar de ser tão frio e aparentemente obediente e correto, Claude se sentia muito atraído pelo jeito muito igual com o do outro mordomo e pela intensidade que começava a ficar mais forte aos poucos. Ah, sim, mais uma vez era atacado pelas provocações do outro, que com um ar de arrogância e provocação, dizia que não queria recomeçar outra briga no meio da festa caso ele não se controlasse por perto de Ciel. Mas … mal sabia Sebastian, que depois de tudo que Claude disse e tentou fazer, aquele lorde não o mais interessava.
”Pegar de surpresa … ele com certeza não reagiria …” - E praticamente fixado, foi andando - em passos lentos que mesmo assim resultavam em barulhos por cima da grama - de pouco em pouco até ao mordomo. Seus lábios tentavam abrir um sorriso, todo o perigo só incitava mais ele. ”Huh?” - Suspirou ao ver o olhar rápido que o demônio desviou para si, notando a aproximação. Tudo acabado? Não, pois ele continuou a cortar as rosas normalmente e não disse nada. Nesse ponto, Claude sabia que precisava ser mais rápido.
– Sebastian. – Apressou seus passos e sem que ele notasse, ficou por trás. Vendo a surpresa dele, rapidamente prendeu seu braço e o fez soltar a tesoura, que ficou larga em cima da grama. Seu coração palpitou, e agora que tinha Sebastian praticamente em seus braços sem poder mover-se, era só aproveitar. Encostou seu nariz no pescoço do outro e suspirava de jeito abafado ali. Vendo uma tentativa deste de falar algo, deslizou sua língua ainda no pescoço em movimento de frente-para-trás.
– … O-O qu— – Assustou-se com a atitude do outro. Não por ter chegado por trás, mas sim por ter segurado seus braços e começar a sentir seu perfume pelo pescoço. Sentia um leve calafrio com cada suspiro, sentindo a respiração do outro batendo contra seu pescoço. Ergueu sua cabeça, mas acabou dando mais “espaço” para Claude acabar lambendo seu pescoço. Segurou os gemidos, ele tentava se mover, mas cada vez que tentava se separar do outro, mais ficava preso à Claude. – Acho que meu Bocchan não vai gostar de ver isso, Claude. – Disse, permanecendo com os olhos fechados, tentando suportar cada arrepio sem soltar nenhum gemido. Sentiu suas pernas se cruzarem com às de Claude e, finalmente, ficou com seu corpo totalmente colado ao do outro. Sebastian poderia empurrá-lo facilmente se fosse um humano qualquer, mas … Claude chegava a ter mais força. – Se está tão faminto assim, vá se alimentar da alma de Alois! – E sentiu seu pulso ser apertado com mais força pelo “insulto”. Apesar de estar concentrado em lamber o pescoço de Sebastian, Claude não deixava de usar força nas pernas e nos braços hora alguma. No fim, ele era muito esperto e não daria brecha para o outro escapar.
Mas afinal … O que pretende? – Perguntou meio trêmulo, finalmente abrindo seus olhos revelando a tonalidade mais avermelhada encarando o outro. Conseguiu virar seu pescoço, já sentindo o quanto o mesmo estava úmido por causa das lambidas, e passou a encarar o outro em silêncio até que finalmente respondesse. Continuava preso pelas mãos e pernas do outro enquanto percebia o quanto seus lábios estavam próximos aos de Claude, conseguindo até sentir sua respiração. Sebastian já começava a se sentir atraído pelos lábios de Claude, mas … Droga! Tinha que se controlar, afinal, Claude não era humano e sim um demônio, chegando até a ser um tanto mais forte. Sebastian era menor que Claude, inclusive, e tinha de erguer um pouco a cabeça para poder enxergar seu rosto claramente. Pela primeira vez Sebastian não conseguiu encará-lo por tanto tempo: desviou seu olhar para o chão, abaixando a cabeça e deixando que uma parte de seu cabelo escondesse seus olhos. Sebastian, então, rendeu-se à Claude? Provavelmente sim, afinal, estava totalmente preso e não tinha como escapar das mãos do outro. Sebastian passou a encarar cada rosa morta que fora jogada no chão, então. Esperaria que Claude acreditasse que o menor se rendeu para acabar se soltando e reagindo contra ele.
Foi então que Sebastian sentiu uma das mãos do outro se soltando, porém, antes que pudesse se mecher, acabara tendo os dois braços pesos por uma só mão de Claude. O maior repousava sua mão sobre a cintura de Sebastian e ia subindo, passando por seu peito, pescoço até, finalmente, chegar ao rosto forçando-o a erguer a cabeça e virá-lo, voltando a encarar aqueles olhos amarelos. Percebia que seu rosto acabara ficando mais próximo do que antes. – … Hm? – Foi o único som que soltou. Mostrava-se indiferente a cada atitude do outro, procurando se acalmar e ignorá-lo; quem sabe, dessa forma, Claude perceberia que Sebastian não queria nada e acabasse largando-o e o deixando em paz.
Conseguiu prendê-lo de todos os modos. O modo amendrontado que Sebastian continuava ficando, desviando os olhares e resistindo ao máximo todas as chegadas do mordomo, e isso era uma espécie de amostra de como ele estava sob o poder e que tudo que se passasse na sua mente, seria possível em fazer. Bem, todos estavam distantes, Alois Trancy provavelmente estaria ainda tentando em vão fazer com que Ciel ficasse do mesmo jeito exagerado em animação assim como o loiro, e ninguém conseguiria ver os dois. Não pretendia mais voltar atrás, e tudo o que sentia era um ódio mesclado com uma forte atração. Confuso, não? Apesar de Sebastian - como ele já esperava - estivesse recusando e ainda tentando inútilmente fugir, o demônio acreditava que tudo ainda poderia ficar melhor naquela intensa noite.
Com suas bochechas quase com um tom corado praticamente invisível, Claude sorria por estar tão próximo e ainda por cima, vangloriando-se de sua força física superar a do menor, visto que por mais que o outro tentasse, nada adiantava de se soltar. As duas respirações viravam uma só, dividindo o mesmo espaço que os separavam - mas com certeza, por pouco tempo. Segurou a ponta do queixo do mordomo, apertando um pouco mais forte e com apenas uma mão, mantinha aqueles dois braços presos enquanto ele chegava mais perto. – Deixe eu tirar esses óculos para ver essa cor vermelha melhor … – Aquele tom de voz era tão ”mole”, tão malicioso; retirou o óculos e jogou no meio da grama. Antes que ele novamente virasse o rosto, aproveitando que as mãos de Claude largaram seu queixo, novamente o mordomo as segurou. – Você perdeu essa, Sebastian Michaellis. – Sim, de uma vez, a respiração dos dois eram sentidas um pelo outro. De olhos abertos, o mordomo de Alois Trancy tocou os lábios com os do menor uma vez, dando um ”selinho”. Os olhos cerraram quase que por completo. – Você … per- – E o beijou. – Deu- – Deu mais um. – Que face é essa? – E com uma risada baixa, percebia como ficou a expressão dele agora. Extremamente envergonhado junto com um forçado rosto que tentava mostrar ao contrário. – Deixe-me ver de uma vez como você é. – Beijaram-se. Apertou de um modo mais forte que antes para que nada desse errado, as línguas se tocaram no momento em que o maior já a tentou tocar, e por causa da força que o outro ainda insista em fazer, a saliva escorria pelo canto da boca dos dois. O beijo perfeito! Se tornou ainda mais pelo modo em que aconteceu, e por ter matado o desejo de todas as outras vezes que sempre esteve por perto, aquela rivalidade toda, no fim, lhe serviu para tomar iniciativa. Sim … não era a primeira vez que havia sentido isso.
– Perfeito. – Então, tirou o terno marrom que fazia parte da vestimenta do demônio, que com a força e do modo apressado, eram arrancadas e jogadas no chão. Agora somente uma simples camisa longa e branca, era o que ele vestia. – Nee, Sebastian Michaellis. Estaria resistindo com isso tudo? Me prove. – Novamente tirou algo da fantasia: a fita vermelha em volta do pescoço. Aquele era um lado até sádico, afinal, que o mordomo nunca aparentou ter com toda aquela personalidade. Já não sentia mais nenhuma resistência nos braços e em nenhum lado do corpo, isso era ótimo. Com uma força proposital, o primeiro gemido de dor foi dado quando Claude puxou os cabelos do menor e levou a cabeça dele para trás, sem ainda soltar; sorrindo completamente, viu todo o pescoço sem nada para cobrir ”pronto” para si, e escolhendo quase no canto, fincou seus dentes também mais fortes e tentava puxar a pele para frente.
Sim, era isso que significava todo o amor e ódio.
– N-Nggh~ Mmh … – Sequer tentou reagir com o forte beijo. Seus braços e suas pernas começaram a tremer, sentindo sua saliva escorrer por seu queixo e cair no chão. Soltava alguns gemidos abafados enquanto tentava virar seu rosto; era inútil tentar resistir. Seus braços ficaram moles e soltos e, por fim, Sebastian desistiu de tentar escapar das mãos do outro. O beijo então finalmente foi parado, seus lábios pareciam estar colados com a saliva que escorria. Já não respondia nem dizia mais nada, apenas preocupava-se em retomar o fôlego enquanto era solto pelas mãos do outro; sequer tentou fugir, apenas caiu de joelhos no chão por culpa de suas pernas trêmulas. Claude ajoelhou-se logo atrás e o agarrou, desabotoando e retirando o fraque. Permanecia de cabeça abaixada, até que viu parte de sua roupa ser jogada no chão, logo ao lado dos óculos. Em seguida, sentiu as mãos do maior sobre seu pescoço, desamarrando e retirando o lenço vermelho dali e jogando-o por cima do fraque. Agora, Sebastian usava apenas uma camisa meio fina, branca, junto à uma calça com uma tonalidade marrom-escuro.
– A-AH~! – Soltou um pequeno grito de dor ao sentir os fios de cabelo serem puxados para cima e logo ficarem desarrumados e sairem de se eu penteado. Fechou mais os olhos, evitando aquele maldito olhar pervertido contra si; Sebastian ainda recuperava o fôlego enquanto um pouco mais de saliva escorria pelas laterais da boca. Foi sentindo os fios de cabelo do outro enroscando em seu próprio pescoço, já prevendo algo contra aquela parte; uma mordida. – A-AAH— NGHHH!~ – Tentava segurar os gritos fechando a boca, não seria digno de um mordomo da mansão Phantomhive gritar daquela forma, principalmente para seu inimigo. Sentia algo escorrendo … Sangue. Claude conseguiu perfurar sua pele e arrancar um pedaço de seu pescoço; não demorou muito para sua camisa ficar toda manchada com seu próprio sangue. – J-Já … Basta … – Tentou dizer, meio ofegante. Enquanto mais sangue escorria, mais suas pernas tremiam e sentia-se mais fraco, quase deitando-se totalmente na grama; Claude, porém, o segurava de joelhos ali. Viu que as mãos do maior logo dirigiram-se até seu peito, já começando a desabotoar a camisa manchada e deixá-la aberta, sem retirar. Sentiu alguns arrepios percebendo que a mão passava de sua cintura e chegava até o meio de sua calça, desabotoando-a junto e abrindo o zíper. – B-Bo-Bocchan … – Não possuía nenhuma arma, mais; estavam todas guardadas no fraque que fora jogado na grama. – N-Nã—! – Gritou e foi interrompido, sentindo a língua tão quente do outro novamente sobre seu pescoço limpando todas o sangue que escorria até que ele finalmente parasse e deixasse apenas uma marca meio roxa com os buracos que os dentes do maior deixou.
Aparentava estar odiando cada ato do outro, mas assim que os olhos de Claude desviaram para a calça desabotoada e aberta, podia ver uma mancha logo no meio; como se algo molhado, algum líquido tivesse caído ali. – Não toque! Claude! – Gritou, logo virando seu rosto ao sentir as mãos do outro sobre sua virilha, ainda por cima das roupas. Estava tão molhado e quente … Chegava a grudar nos dedos de Claude. Ah, Sebastian estava tão envergonhado, sentia-se imundo com todos aqueles toques! Suas bochechas e seus olhos estavam mais vermelhos do que nunca, chegavam a brilhar contra a luz da Lua. Virou seu rosto para o outro lado e o escondeu no pescoço do maior, que concentrava-se em masturbá-lo, ainda por cima de suas calças. Aproveitou que seus braços estavam soltos e os envolveu no pescoço de Claude, como um “abraço” para se apoiar e não cair, escondendo mais seu rosto entre o ombro e o pescoço do mesmo. E se alguém acabasse flagrando os dois ali?
Ah! Era isso que Claude precisava, só mais isso para manter as coisas do jeito que queria se satisfazer. Sangue. Com um gosto único, exclusivo e tão diferente de tudo o que já experimentou até aquele momento extremamente especial, engolia automáticamente algumas gotas que ficavam em volta dos seus dentes, inclusive. Conseguir perfurar a pele de Sebastian e ainda por cima provocar aqueles gemidos: era isso que queria, mesmo que fosse na base da dor. – Não basta não, Sebastian Michaellis. Esse é só o início onde ver se você realmente aguentava todas essas coisas foi visto como uma mentira. Vamos continuar. E muito! – Disse seguro de si, alegrando-se e gargalhando ao ver o menor naquele estado já sem reação alguma tão cedo. Com a camisa repleta de sangue que manchava todo o branco, notou o quanto se sentia muito mais fraco provavelmente pelas dores causadas, e por isso, o apoiou sem dificuldades enquanto levava suas mãos para desabotoar sua camisa suja. Assim o fez, mas não a tirou de seu corpo. – Ops~ Lorde Ciel Phantomhive com certeza não gostará de todo esse estrago, huh? – Cada vez mais esse aproveitava o momento. Esse único momento! Sebastian Michaellis totalmente a mercê do que ele quisesse. Suas mãos dessa vez dirigiram-se ao zíper do outro e abriu, ouvindo mais uma vez suas súplicas. Para impedir o grito que vinha a seguir, livremente o mordomo deslizou e arrastou sua língua em volta do sangue espalhado pelo pescoço do menor e causando as sensações que ele descobriu que Sebastian sentia; conseguindo, dessa forma, impedir que ele gritasse e se sentisse mais ainda enfraquecido.
– Huuuuh? O que é isso chamando atenção no meio da sua calça? Seria a real prova de estar só de fingimento e gostando disso tudo? Ou melhor … – Ignorando os gritos do demônio, o maior pôs suas mãos por cima da calça e sentindo até mesmo seus dedos colados pelo sêmen que ali ficou depois de todas as provocações que fez. E sua vontade aumentava e aumentava! – O que acha disso? – Então, mexeu com sua mão por volta, por perto da virilha e deixando mais ereto ainda com os toques. – Mas passarei ainda mais. – Começou a masturbá-lo por cima da calça. Não foi tão difícil conseguir segurar bem ao ponto de ser capaz de masturbá-lo, e assim o fez, tirando todas as chances de fuga. Mas como se não pudesse ficar mais claro a sua superioridade sob ele … ”Isso é um abraço? Eu sinto ele me apertando.” - Mal precisou conferir com a tamanha força feita por Sebastian em seu pescoço. Ele simplesmente deixou que desse continuidade e aquilo foi uma prova óbvia que havia desistido de ir contra! Agora, mais do que nunca, o mordomo de Alois se sentiu a vontade.
– Segure-se em mim. – E jogou o corpo de ambos para a grama fofa, sem que se machucassem. Claude ficava por cima e via claramente o rosto do outro, que não continha as manchas avermelhadas espalhadas em sua face. – Você no fim não pode resistir, Sebastian. Por que não pede por mais de uma vez, então? Eu irei fazer mais, só que poderia admitir que não consegue recusar. – Parando com a masturbação, seus dedos iam em sequência para dentro da cueca do de Sebastian, e lentamente, ele ia alisando em volta do membro quente e em pé enquanto assistia a reação do menor: fechou mais os olhos e soltava pequenos gemidos com o modo devagar e provocante, o abraço em seu pescoço foi desfeito e agora Sebastian apertava a grama ao seu lado. – Sebastian. Peça por mais.– Esperando em cercas de alguns segundos, só havia silêncio. Então, utilizou mais uma sodomia, que agora seria apertar o membro do demônio estendido no chão junto com uma masturbação ao mesmo tempo, tornando-se prazerosa e doída demais. Não gargalhou, mas maliciosamente aguardava com seu sorriso um tanto sujo o que queria ver: gritos, gemidos ou o pedido que ele ordenou que fosse feito.
Obedeceu o maior e foi deitando na grama, se apoiando no seu pescoço. Se encaravam, porém, Sebastian se recusava a pedir por mais; para ele, seria mais uma humilhação. Permaneceu calado enquanto já sentia os dedos do maior entrando e alisando seu membro, o que fez o menor estremecer. Largava o pescoço do outro e fincava as unhas na grama, jogando a cabeça para trás e soltando gemidos abafados. Ainda assim, não respondia aos pedidos do outro.– Não devo obedecer a nenhuma outra ordem que não tenha sido dada por meu jovem mestre. Principalmente vinda de um mordomo. – Disse, em meio aos gemidos. Abriu seus olhos e viu o quanto Claude ficou irritado com sua resposta, o que o levou a apertar seu membro com força. – A-AAAH! Ngh~ – Gritou. Voltava a ficar ofegante como antes e, pela primeira vez, seus olhos lacrimejaram. Novamente fechou os olhos e passou as costas de uma das mãos sobre os olhos, limpando as lágrimas antes que Claude as visse. Enquanto o outro se abaixava e já retirava as calças do menor junto com as roupas íntimas, este mordia a ponta de suas luvas, retirando-as e jogando-as ao seu lado. Agora, Sebastian usava apenas sua camisa branca manchada, mesmo desabotoada.
– Já chega! – Disse, segurando os braços do outro e fincando suas unhas em seus pulsos até finalmente perfurar e conseguir tirar sangue do maior. Continuava deitado, apenas movia seus braços, impedindo-o que tocasse mais em seu corpo, mesmo que tenha acabado ficando nu e suas partes estavam totalmente à mostra para Claude. Seu membro estava ereto e molhado, e continuava a soltar um pouco de sêmen. Lentamente, Sebastian ia se sentando e aproximava seu rosto ao do outro; no fim, os dois ficaram presos um com o outro. Porém, antes que Sebastian pudesse dizer algo, Claude apenas aproximou mais seu rosto ao dele e novamente se beijaram. Droga, novamente seu coração voltou a palpitar e sua força diminuiu, sendo empurrado pelo maior e novamente se deitando. Não tinha jeito, Sebastian sentia-se cada vez mais fraco com cada “carinho” dado pelo outro; era como se não sentisse mais vontade de machucá-lo ou fugir. Agora eram as mãos de Claude que segurava os braços de Sebastian. O maior foi se abaixando mais, até que os dois rostos ficaram mais próximos e o menor ainda insistia em querer virá-lo para o lado e desviar seu olhar.
Logo uma das mãos do outro soltaram um dos braços de Sebastian e dirigiu-se até sua cintura, puxando-a para baixo até que fosse obrigado a envolvê-lo com suas pernas. “Claude … O que …”, Sebastian sabia bem o que o maior pretendia agora. Naquela posição, qualquer um entederia, bastava o outro retirar seu membro para começarem. Não demorou muito: Claude agora desabotoava sua calça, abrindo o zíper e puxando seu membro para fora, sem precisar de retirar suas roupas. Não precisou olhar para ver seu estado, já sentia algo úmido roçando por cima de seu próprio membro. Uma das mãos de Sebastian foi levada até o membro de Claude e, juntos, passaram a se masturbar com os dois membros colados um ao outro. Era o outro mordomo quem movia sua mão em movimentos de baixo-para-cima, enquanto o menor só passava a gemer mais alto. Não estava aguentando mais, mas no fundo, Sebastian não queria que aquilo chegasse logo ao fim.
Nem mesmo com toda a violência e a força que ele fazia no mordomo, o mesmo nunca desistia de continuar retrucando e o tentando deixar mais irritado. Bem, isso só era mais pior para ele, já que Claude respondia aquela provocação de ”não ser ordenado por outra pessoa” apertando e machucando mais seu membro, provavelmente deixando as marcas vermelhas de seus dedos na pele. Agora, já sentindo-se mais acomodado em continuar a deixá-lo mais nu e menos a vontade, começava a retirar o que ele vestia na parte de baixo. Nada podia parar tudo que o demônio pretendia. – Vamos ver o que acha de ficar praticamente sem nada, Sebasti- – E o sorriso explícito se transformou em lábios parados e com uma expressão assustada. A raiva se misturou com a surpresa naquele momento: Sebastian novamente tentou uma reação quando tudo parecia já acabado; seus pulsos furaram com as unhas que ali foram pressionadas e um pouco de sangue foi derramado, causando uma pequena dor nele. Agora, o mordomo de Ciel conseguia flexionar mais o seu corpo e ficar sentado, dividindo forças com Claude - enquanto o mesmo divirtia-se em ver o menor ainda ejaculando de pouco em pouco e sorrindo provocantemente encarando aquele rosto cansado de Sebastian - e as duas cabeças aproximando-se uma da outra.– Quanta força, Sebastian … – O motivo de ter dito isso? Porque só precisou de segundos para saber o que fazer. Beijá-lo. Ao mesmo tempo em que forçaria o beijo, conseguiria por o menor mais uma vez para baixo, e tirar qualquer resistência que ele poderia fazer. Agora mais uma vez as coisas viraram, e Claude continuava com a vantagem. Já se tornava divertido.
– Quando parará de tentar?! – Então, um dos braços do menor foram soltos para que assim, o outro conseguisse segurar sua cintura e por em uma posição bem óbvia do que significaria. Não queria perder mais tempo, e se o que ele planejasse fosse acontecer, marcaria a noite dos dois para sempre. Tirando com uma certa pressa o membro de dentro de sua cueca e o pondo para fora após abrir o zíper, Claude nem se preocupava em tentar se preparar caso Sebastian tentasse sair da posição ou fugir; simplesmente ele não tinha chances. Pôs seu membro por cima do outro membro e pela primeira vez, começou a gemer. A sensação dos dois pênis se encostando e se batendo tão quentes mexia demais com o maior, que para aproveitar que estava tão intenso, fez com que os dois se masturbassem. Ambos masturbavam no outro, e o sêmen de Sebastian começava a sujar um pouco de seu dedo.
– Mais forte! – E com os dois gemendo, mais suor escorria no canto da sua face. Por ser a primeira vez em que indiretamente estava sendo masturbado, toda a sensação forçava mais rápido a saída do sêmen. Parou com a masturbação no membro de Sebastian e viu o quanto estava mais avermelhado pelos apertos minutos atrás e por estar sendo masturbado.– Oh, Sebastian~ gomenasai. Isso te fará sentir melhor? – E quase rindo, fechou os olhos e começou a chupar o pênis do menor e lamber consecutivamente, revezando nas duas coisas com a intenção de poder provar seu sêmen e ainda por cima fazer para com aquela dor. Mas não se podia enganar, Claude não queria agradar mais ninguém que só fosse ele mesmo. Se aquilo pudesse fazer com que a dor se acalmasse, então, logo em seguida, ele faria algo que causasse mais dor e que pudesse deixar o mordomo mais entregue: com um único dedo, foi dedilhando e tentando achar únicamente o lado anal de Sebastian. Não demorou muito - mesmo que nem tenha parado de chupar o membro dele - e assim que sentiu a entrada, rodou um pouco com o dedo e aos poucos foi forçando mais a entrada, ouvindo o desesperado pedido do menor que tentava parar de gemer e dizer ”não”. – Desculpe. – Ao que se referia irônicamente? Por não ter molhado a ponta do dedo para que não machucasse tanto assim quando fosse inserir seu dedo dentro dele.Sebastian arrancava a grama ao seu redor com uma de suas mãos, enquanto a outra era forçada a masturbar Claude e acabar sendo retribuído com o mesmo “carinho”. Já sentia a terra entrando por baixo de suas unhas, mas já não fazia diferença para Sebastian, afinal, já se sentia sujo demais pelos toques de Claude em seu corpo. A mão do outro parou com os movimentos e Sebastian ficava mais ofegante do que antes e seus olhos permaneceram fechados, escondendo a tonalidade mais vermelha ainda. Sentia algumas gotas de suor escorrendo por seu rosto, e novamente as pernas do menor voltava a tremer. Sentia, ainda, o sêmen escorrendo para fora do membro de Claude e caindo sobre sua barriga, sujando-o mais. – C-CLAUDE! – Sebastian ia se apoiando nos próprios braços e encarava o outro aproximando sua boca até seu pênis e, finalmente, colocando-o dentro de sua boca e começando a chupá-lo. Já não conseguia mais se segurar: gemendo cada vez mais alto, Sebastian repousava uma de suas mãos em cima do cabelo do outro e tentava puxá-lo para cima até que seu rosto finalmente se afastasse dali. – P-Pare com isso … PARE, CLAUDE! – Já estava entrando em desespero sentindo os dedos do outro ao redor de seu orifício. Com a outra mão, Sebastian tentava empurrar os braços do outro para trás; huh, como se adiantasse. – … NÃO! – E então, caiu para trás, batendo a cabeça no chão e soltando vários gemidos de dor. – Claude … N-Não … POR FAVOR, CLAUDE! – Sebastian estava, realmente, desesperado. Era a primeira vez que Claude via o outro naquele estado mas, mesmo assim, o mesmo não parava e apenas pedia desculpas num tom irônico.
Foi então que um brilho escorreu pelo rosto de Sebastian. Uma lágrima! Impossível, estaria Sebastian chorando de dor? Rapidamente ele procurou limpar aquela lágrima, mais envergonhado. – NÃO OLHE! … Droga … – Gritou, meio rouco e trêmulo. Puxava todo o ar que podia pela boca, tentando suportar a dor que apenas um dedo lhe causava. Ergueu seu braço e tampou sua face, principalmente seus olhos, com a ajuda da manga da camisa. Deixava apenas sua boca visível para outro, dessa forma, poderia continuar puxando o ar para dentro de si até recuperar todo o fôlego. Querendo ver mais do desespero de Sebastian, Claude enfiava um segundo dedo, mas … Sem reação. Foi apenas um alto gemido que pôde ouvir, e foi seguido de outros e mais outros, mas ele já não suplicava para que o maior parasse. Os dedos de seus pés se contorciam e sua pele ficava cada vez mais arrepiada.
– … Por que tudo isso … ? – Perguntou, retirando seu braço de seu rosto e deixando seus olhos vermelhos visíveis. Como brilhavam contra a luz do luar … Era como se estivesse cheio de lágrimas. Sua cabeça doía e, agora, Sebastian queria que tudo aquilo acabasse ali para que finalmente voltasse para a mansão e descansar. Fará de tudo para esquecer essa noite e nunca mais voltar.
Todos os gritos, os pedidos, as tentativas sem sucesso que Sebastian ainda assim insistia em fazer … era como se fosse uma melodia e atos que significassem só uma coisa para o sádico e sem limites Claude: prosseguir. Para ele, tudo aquilo só mostrava o quanto ele estava no poder e superiormente em tudo o que poderia realizar com o corpo do menor dado em suas mãos. Ejacular na barriga do outro era só uma maneira dele demonstrar que não dava a mínima e faria de tudo para deixá-lo mais por baixo ainda, juntando todo o prazer com a dor e humilhação.– Me perdoa, Sebastian~ me desculpa. Ah, como estou sendo errado. H-e-h! – Não poderia faltar a ironia no meio de todo o sadismo que praticava. O mordomo poderia chorar e até mesmo gritar, aquilo continuaria o excitando e mostrando que estava conseguindo o que queria. Lágrimas. Desespero total, então. As coisas só tendiam a melhorar para o lado de Claude, e ele via tudo isso como mais interessante. – Não posso deixar de olhar! Na verdade, isso me dá até mais uma idéia. Sebastian Michaellis, você é tão interessante. – Quanto mais dizia, mais excitava-se. Aquele ”lado fraco” do menor que sempre se mostrou tão forte e único em tudo, agora não passava de um … passivo? Com certeza. Chegava a ser mais engraçado!
– Ops!~ Desculpe. – Debochou enquanto penetrou o segundo dedo e mais uma vez ouviu os mesmo pedidos de sempre para parar. Provavelmente, o mordomo tenha se acostumado com a sensação e as dores, logo, sua reação foi um pouco mais discreta do na primeira vez. – Sebastian … – Retirou os dois dedos ali de dentro e passou a encarar os olhos brilhantes e rubros que visavam a lua, mostrando lágrimas acumuladas. Por um momento, achou que já não estava sendo a mesma coisa. – Eu só tentei forçar desse jeito porque eu realmente lhe odeio. Mas, desde que finalmente lhe conheci melhor do que eu andava ouvindo, comecei a imaginar que de certa forma nós somos parecidos. É estranho, eu sei, um demônio se interessar pelo outro, mas … assim como Ciel Phantomhive, você consegue se tornar diferente e mais especial que os outros. Como eu não sei, mas tudo o que eu queria fazer era uma coisa. – Suspirou e secou, com a mão que estava ”limpa”, as lágrimas que se acumularam. Nesse momento, pode ser visto que Sebastian finalmente estava solto.
Com praticamente o corpo dele estendido, Claude abraçava literalmente o demônio e trazia para perto, sem qualquer sorriso ou outras intenções. Ajeitou o rosto dele para que o encarasse sem medo. – Pare. Pode me olhar, eu não irei tentar nada agora. – Seu coração voltou a palpitar … mas não como se fosse tentar algo semelhante quando tentou pegá-lo por trás enquanto Sebastian cortava as plantas, mas sim por estar se arriscando de uma vez só. – Você pode escolher entre ir agora e se desfazer desse abraço e voltar para a mansão e dentro da festa. Eu ajudarei a se vestir. – Novamente suspirou, e levantou mais a coluna fazendo com que a respiração - que coincidentemente eram abafadas - fosse partilhada. – Ou ficar aqui. – E engoliu à seco sua saliva. Tinha noção do quanto amendrontou Sebastian e fez com que tornasse as coisas tão violentas e agora, de certo modo, românticas. Mas os dois viviam em uma constante linha de amor e ódio. Foi proposital deixar seu lábio tão próximo do menor, pois caso ele decidisse ficar ali, poderiam selar com um beijo.
Sebastian permanecia em silêncio, ele apenas fechava seus olhos. Sentiu um enorme alívio assim que os dedos foram retirados de dentro de si e não retribuiu ao abraço, deixou que Claude o levasse até seu colo, onde sentava-se de lado e ficava com seu rosto encostado ao peito do maior, até ser forçado a encará-lo. – Parecidos? … – Sussurrou. O rosto do maior ficou mais próximo e passaram a dividir o mesmo ar, seus lábios quase se encostavam, bastava apenas um pequeno empurrão. Porém, Sebastian erguia sua mão e, com dois dedos repousados sobre os lábios de Claude, ele o empurrava devagar para trás até que se afastasse. – Beijar um demônio à força, retirar e lamber seu sangue com uma mordida, masturbá-lo contra sua vontade e ignorar seus pedidos, irritá-lo, provocá-lo … Abusar de um demônio, forçá-lo a uma relação sexual e a trair seu lorde … E pior: Retirar as lágrimas de um demônio. Eu deveria lhe mostrar minha verdadeira forma aqui mesmo, e devolver toda a vergonha que me fez passar. – Disse, passando as mãos sobre os cabelos tentando ajeitá-los e fazê-los voltar ao penteado de antes. Algumas gotas de suor eram soltas por seus cabelos e seu rosto, e já percebia o quanto aquilo deixava Claude mais inquieto. – Mas meu Bocchan poderia acabar descobrindo e me encher de desculpas. Seria mais um fardo, afinal, eu já prometi jamais mentir outra vez para meu lorde. Isso lhe causaria problemas, também … Caso sobrevivesse. Não viemos para uma briga, e lorde Alois Trancy já deixou claro que a rivalidade chegou ao fim. Você … – E aproximou seu rosto ao dele, até que ficou de joelhos em frente e encostaram suas testas uma na outra. – … Não vai querer ir contra a voz de seu jovem mestre, não é? Mas … Tem algo nesses olhos que me atrai tanto. – Então, fechou seus olhos e deu-lhe um pequeno beijo nos lábios. Foi dando vários beijos, até que seus lábios finalmente se encaixavam e Sebastian envolvia seus braços no pescoço do outro. Um beijo bem mais calmo, nada com muita força.
Quando finalmente os dois rostos se afastaram, Sebastian puxou o outro em sua direção até voltarem a se deitar, onde o menor novamente ficou por baixo. Com um sorriso malicio, Sebastian retirou os óculos de Claude e os jogou para o lado próximo às suas roupas. – Devemos recomeçar. Agora … Com mais calma. – Mordiscando a ponta do queixo do maior, esperando por alguma resposta. Virou seu rosto e passou a observar a mansão Trancy, completamente iluminada. “O que os dois estarão fazendo … ?”, pensou. Continuava nervoso e com medo que Ciel acabasse saindo da festa procurando por seu mordomo, e deparasse com os dois ali.
Engraçado, toda a ”superioridade” que tanto Claude amava fazer questão de manter e mostrar para o menor mostrando isso em machucando, humilhando e fazendo coisas que até passassem mais dos limites que ele mesmo imaginava, estava sendo perdida aos poucos. Sem arrogância, mas ele sentia-se seguro e esperava que ao invés de ouvir algum xingamento ou só ver ele partindo, fosse beijado e que os dois lábios se selassem e se juntassem depois daquela distância de praticamente uns 10 centímetros. Mas nem precisou de tanto, pois tudo isso sumiu aos poucos; seus lábios foram empurrados com o dedo de Sebastian levemente para trás e os distanciando. A partir dali, saberia que ouviria tudo o que não desejava, mas não agiria com violência. Abusar, trair, forçar, machucar, violentar, arrancar gemidos e lágrimas, ignorar e debochar os pedidos desesperados, irritar, provocar … foi tudo o que ouviu, e sem razão para responder, ainda ouviu por fim a ameaça dada pelo mordomo. No fim, Claude não passava daquilo tudo e ainda por cima digno de pena para não sofrer com a real forma do demônio Phantomhive? Isso foi praticamente um sinal de que o mínimo que o maior deveria fazer era desfazer o abraço - e assim o fez! Calado, e com o sorriso de vez desaparecido, olhava como Sebastian arrumava-se de volta. Ficou inquieto só de ver que tudo havia acabado.
”Mas … Tem algo nesses olhos que me atrai tanto” - Em seus olhos? Estava tão desacreditado de certa forma com ódio de si mesmo que só ouviu esse último trecho. E … beijo! Não só um, na verdade, foram vários de pouco em pouco até que seus lábios se encostassem. Foi o primeiro sem ser forçado, a forma calma, além disso, lhe excitava de modo mais satisfatório do que quando teve que forçar. As coisas mudaram de um jeito para outro inacreditável, o demônio parecia ter lhe dito tudo o que acabaria com aquela noite ”improvisada” e agora tudo voltou de uma vez. Estava paralisado literalmente! Depois de afastarem seus lábios e olharam-se um pouco, o menor lhe puxou para o chão e Claude novamente ficava por cima. Notavelmente, agora ele mostrava o quanto envergonhado estava. Não só pela situação e o susto em si por causa da atitude do outro, mas sim por perceber que não precisava mais forçar em nada.
– Eu conheço melhor que qualquer um minha majestade. Pelo jeito, está mostrando alguma coisa para seu Bocchan e puxando alguma conversa para formar uma amizade. Bem, não sei se ele será recípocro. – Não perguntaria, só iria aproveitar. Por mais que quisesse saber o que atraía o menor, ou a razão que lhe fez ficar, não seria tão importante assim comparado ao fato de poder continuar com tudo aquilo. Aproveitando do outro estar com a cabeça virada, vendo a mansão de Alois Trancy, novamente começaria com os beijos na direção do pescoço, mas desistiu. – Sebastian. – E chamou sua atenção. Deitou-se ao seu lado na grama e o olhou, agora sem ser por trás das lentes de seu óculos. – Depois de tudo o que eu fiz, e lhe causei, por que não faz o mesmo também comigo? Aproveite. Do jeito que lhe atrai.– Com sorriso de canto, não parou de olhar.
– Será que eu devo? – E sorriu, maliciosamente. Levantou-se da grama e ajoelhou-se por cima do corpo do outro, se abaixando lentamente, aproximando seu rosto ao dele. Porém, antes que pudesse encostar seus lábios no pescoço do maior, ouviu o som do grande relógio próximo à mansão batendo, alertando à todos que já era meia-noite. – Ora, ora … Já é tão tarde assim? – E afastou seu rosto, encarando a mansão. – Não posso demorar um minuto sequer. – E levantou-se, andando até suas roupas e vestindo-as com pressa. Se preocupou ao máximo para não deixar nenhuma marca à mostra, principalmente as do pescoço, arrumando seu lenço vermelho no local. Suspirando, observava Claude levantar meio desanimado. Porém, com um pequeno sorriso gentil estampado no rosto, se aproximou e segurou-o nos ombros, aproximando os lábios em um de seus ouvidos e sussurrou o endereço da Mansão Phantomhive, e deu uma hora para que ele aparecesse lá, caso pudesse. – Eu estarei te esperando. – E deu um pequeno beijo, logo se virando e correndo ate a mansão enquanto suas mãos arrumavam seu cabelo.
Já estavam prontos para se retirarem. Alois se despedia de Ciel, que esperava seu mordomo em frente à porta da carruagem. Assim que Sebastian apareceu entre os dois, Ciel o encarava um tanto emburrado e, em silêncio, entrava na carruagem com os braços cruzados. Sebastian virou-se para o loiro e lhe fez uma reverência, agradecendo pelo convite e por toda a diversão. Logo, entrou na carruagem e fechou a porta, dando um último sorriso especialmente para Claude, que apenas arrumava seu óculos em seu rosto, como resposta. Virou-se e percebeu que seu lorde já havia caído no sono, com a cabeça encostada em seu ombro. Sentiu um certo aperto no peito, pensando se realmente foi uma boa idéia chamar Claude sem a permissão do menor. Droga, não conseguiu resistir. Agiu sem pensar, e terá de arcar com as consequências, no fim. Olhou uma última vez para a mansão Trancy, já não conseguindo mais ver Claude ou Alois. Abaixou sua cabeça e ajeitou seu lorde em seu ombro, para que se sentisse mais confortável.
Assim que chegaram à mansão Phantomhive, Sebastian não tirava os olhos do relógio que sempre levava consigo em um dos bolsos de seu fraque. Foi então chamado para abotoar a camisa do menor, que já havia retirado sozinho seu vestido e os apliques no cabelo. Ajoelhou-se em frente à cama e abotoou o mais rápido que pôde, dando a desculpa para que Ciel fosse descansar o mais logo possível, para não acordar mal na manhã. Este apenas guardou seu tapa-olho na mesa ao lado e se ajeitou entre os travesseiros, sendo coberto pelo mordomo que logo assoprou as velas e retirou-se do quarto. “Talvez ele nem venha”, pensou consigo, enquanto dirigia-se até seu quarto, que se localizava em um canto mais “escondido” da mansão. Enquanto retirava seu fraque e desabotoava sua camisa, ele ouviu a batida das folhas de árvores e correu para a janela de seu quarto; porém, logo decepcionou-se pois foi apenas o vento. – Ele não vai vir. – Sussurrou. Deitou-se na cama e, com apenas a luz das velas iluminando todo o quarto, ele encarava seu relógio. – Um minuto atrasado. – Fechou os olhos e colocou o relógio na mesa ao lado das velas que logo foram assopradas e apagadas. Virou-se de costas para a janela e permaneceu de olhos fechados, esperando que dormisse logo. Na realidade, Sebastian não precisava dormir. Apesar de ficar cansado, ele continuava a ser um demônio e geralmente ficava acordado andando pela mansão, certificando que todos estivessem dormindo. Ele apenas tentou abrir uma excessão nesta noite.
– Mandarei cuidarem disso o mais rápido possível, my highness. Não vamos demorar muito agora.O senhor deve estar cansado agora, e o horário de dormir já passou faz muito tempo. Foi uma grande festa pelo que vi. – Ah, estava tão ansioso e apressado para chegar logo lá na mansão Phantomhive, que dessa vez, por um motivo extremamente inesperado. Quem diria que ele realmente com aquela tentativa tão estranha conseguiria fazer isso tudo … inclusive uma certa influência em mexer com a lealdade de Sebastian Michaellis e o fazendo marcar um encontro logo na própria propriedade de seu lorde. Bem, os dois eram espertos e rápidos no que faziam, não iriam levantar suspeita alguma, mesmo que um forte temor batesse contra o mordomo. Estava ignorando praticamente tudo o que o loiro dizia, só o conduzindo até ao quarto enquanto ele falava alto e rindo de tudo o que viu e fez na festa, principalmente quando dizia ”Ciel-kun”, que era a única palavra que ele realmente ouvia e mais se lembrava do horário que estava correndo. Sua aflição mal era vista, uma vez que Alois mal parava de falar e olhá-lo, sendo automáticamente respondido com os repetidos ”uhum” do maior ou com sua cabeça balançando afirmativamente. – Chegamos. Amanhã, pela manhã, nós podemos nos falar melhor, my highness. O senhor não pode acordar tarde ou seu horário ficará desregulado. –Tch, era até difícil manter a calma com a insistência do menor, e ainda mais o medo de ele desconfiar de algo que pudessem estar tramando. Tinha que ficar mais relaxado, pelo menos até sair. O caminho era muito longo, e se tivesse algo para resolver ainda lá, isso só pioraria. Por um momento, até mesmo o loiro se tornava uma espécie de atrapalhação para se lidar. Mal olhava para ele enquanto tirava sua roupa e a deixava de lado enquanto ia abotoando seu pijama, mas até imaginava sua raiva pelos suspiros de insatisfação pela falta de atenção que andava recebendo no fim de noite. Bom, pelo menos ele não era perguntado sobre o que faria.
– Boa noite, my highness. ♥ Bons sonhos. – Bons sonhos? Nossa, isso era algo que ele raramente dizia. Com isso, conseguiu até retirar um sorriso da face do outro sem intenção alguma … ah, pelo menos deu uma sorte. Só desejava descer e com a cavalaria, seguir até lá. No salão principal, avisou a todos o que deveriam fazer pelo resto da noite - como limpeza, organização e tudo para manter a mesma organização - enquanto avisava que até pela manhã, estaria de volta, sem ser questionado por ninguém, com excessão de Hannah, que o encarava muito confusa. Com todo aquele nervosismo, parecia que iria fazer algo como quando foi atrás do loiro que havia fugido. Mas eles nunca deveriam perguntar. Arrumou seus óculos um tanto que desajeitado e logo tirou a cavalaria do canto em que estavam, na verdade, uma nova cavalaria. Com mais força que antes, avançou com os cavalos na carruagem e pegava todo o caminho que já tinha de có, concentrado em pegar os caminhos mais curtos enquanto sem parar, seus olhos sempre encaravam o pequeno relógio posto em seu bolso que já indicava 5 minutos. ”Isso é inacreditável. Ainda por cima, preciso ser pontual …” - Que preocupação. Saberia que se não encontrasse Sebastian ainda acordado, deveria desistir para não chamar a atenção. Afinal, se fosse questionado logo depois por alguém por ter sido visto perambulando por lá, teria problemas.
Esticou um pouco da cabeça para fora da carruagem, e com uma distante luz, avistou o portão do jardim da mansão. Tudo muito escuro, como imaginou. Aquela festa feita por Alois teve até um ponto bom: fazer com que todos logo dormissem. – Uma e um da manhã, que droga. – Até um pouco de suor derramava no canto da face, enquanto caminhava para dentro enquanto estacionava os cavalos e em passos rápidos, adentrava mais uma vez no jardim e sem se importar com o atraso, continuou indo. Se chegou até aquele ponto, seria uma burrisse desistir. Suspirou, e sem fôlego, viu que a luz do quarto que provavelmente seria de Sebastian, havia apagado; não só a dele, como de todas já se encontravam sem luz. Mas ele tinha um defeito: ser mais insistente ainda, e até ousado. Dedilhou entre as flores e o mato, encontrando pedras de pequeno porte. – Tch! Isso soa tão como adolescentes … mas não saio assim. –Mal deu importância. Pegou umas cinco pedras que enchiam sua mão e começou a tacar na janela que estava por cima da sua cabeça, jogando uma trás da outra e esperando que alguém aparecesse. Já estava praticamente preparado para se esconder caso fosse alguma outra pessoa indo abrir a janela. Vulnerabilidade óbvia.
Day into night, sugar into salt, living to dead and dark blue into gold. That's what makes a Trancy butler.
