. . . 私は彼の魂を望む ♥ 連理の枝~: 悪い朝 . . . My majesty, where are you?
O sol finalmente irradiava, os pássaros cantavam e a primeira brisa matinal balançou todas as árvores, plantas e o mato no enorme quintal da mansão Trancy. Estranhamente, os trigêmeos não apareceram aonde o mordomo Claude se encontrava para lhe avisar de qualquer informação sobre Sebastian e…
Passou a noite em claro, andando pelos corredores incessantemente e às vezes parando para pensar em tudo o que havia acabado de acontecer. No andar de baixo da mansão, estava simplesmente Alois Trancy, talvez, o maior desafio e inimigo que eles já tenham enfretado desde que ficaram juntos. Mas claramente o loiro não era nada sem seu demônio, e além disso, não conseguia entender o motivo daquelas lágrimas e por ter se rendido. Estranhou muito o fato de ter passado a noite toda vigiando e nada ter acontecido, nenhum barulho vindo do quarto abandonado em que o loiro estava, nem mesmo algum ataque surpresa ou qualquer coisa que pudesse ser suspeita, apenas … suspense. ”Isso está me matando. Droga, ser proibido por Ciel-sama de me comunicar com Alois é uma desvantagem, eu poderia arrancar qualquer informação dele. Só posso dar o café da manhã.” - Falando nisso, já quase deu a hora. Ficou incubido à ele para decidir qual a hora exata seria sempre servido o alimento ao loiro, Ciel pouco se importava, além de ter ficado tão irritado em ter que abrigar alguém como ele em dentro de sua mansão. Mas era esperto, sabia que ter o inimigo mais próximo sempre seria uma vantagem para se aproveitar. Foi ordenado na noite passada para servir primeiramente o café do novo hóspede, e depois, de seu lorde; era engraçado vê-lo em um jeito até mesmo, ”bom” de agir sem querer fazer com que o outro sofresse.
– Com licença, estarei entrando. – Pacíficamente disse, após olhar pela janela de cima da porta do quarto que Alois simplesmente … continuou na mesma posição. A diferença, é que ele estava com um colchão por baixo, mas ainda assim, cabisbaixo e abraçado com suas coxas. Abriu a entrada e pôs, em cima de uma bandeija, com alguns alimentos para Alois, sem exagerar como fazia ao cardápio matinal do menor. Não houve respostas. Mas já esperou por isso, sabia do transtorno que estava passando.
Continuou olhando, por uma pequena brexa, como ele agiria. Ficou exatamente por 15 minutos parado, somente com os olhos fixados na figura dele. Não se moveu, um toque sequer na comida. Com excessão de um soluço, nada mais aconteceu. Ainda continuou revezando, e quando se completaram 30 minutos, desistiu. Pode concluir que sim, ele não ia mais comer. O que estava acontecendo?! Sebastian tentaria convencer seu lorde para que deixasse ele ir fazer algumas perguntas à ele, mesmo sabendo que provavelmente seria negado. Novamente dirigiu-se para a cozinha e fez o café da manhã de sempre, óbvio que seria mais tratado.
Subiu as escadas e foi em direção ao quarto do menor no andar de cima. ”Toc, toc, toc~” e entrou, segurando a bandeija na mão livre. Já sabia que ele estava acordado, por estar ansioso por respostas e preparado para qualquer coisa. Viu que ainda estava muito sonolento, olhando para fora da janela. – Aqui está seu café da manhã. – Não esperou para que se virasse e completou. – A situação é real. Eu fiquei muito tempo olhando sem ele saber para o quarto onde ele estava e … ele não comeu nada. –
Ciel acabou acordando sozinho, sem que Sebastian abrisse as cortinas e a luz do sol batesse em seu rosto. Assim que terminou de se vestir, levantou-se da cama e foi empurrando, devagar, as cortinas para o lado e ficou a observar sua mansão-de-fora, esperando que uma certa carruagem aparecesse. Não demorou muito para ouvir as batidas na porta de seu quarto, e logo seu mordomo entrou com seu café da manhã. “A situação é real”, aquele garoto não conseguiria aguentar e fingir por tanto tempo, ainda mais na frente de Sebastian. Pegou a xícara de chá e encarou o maior meio pensativo, até que ouviu sons das patas de um cavalo. Rapidamente virou-se para a janela e viu a imagem de Claude, sentado na carruagem, passando pelos portões da mansão. – Ele veio … Sebastian! Converse com Claude, encha-o de perguntas, eu quero todas as respostas de noite. Não o deixe entrar na mansão, e guarde o que fará de almoço para o jantar. Eu irei conversar com o Alois. – Ouviu o “entendido” vindo de seu mordomo, que lhe entregou a chave do quarto de Alois. Rapidamente terminou seu chá e saiu, com pressa, de seu quarto. Foi descendo as escadas com mais pressa, até finalmente chegar na porta do quarto do loiro. Ficou na ponta dos pés e abriu a janela, observando-o sentado no colchão, com o rosto escondido sobre os olhos. Ao seu lado, estava a bandeija com seu café da manhã, sem um toque. Destrancou o quarto e o abriu, deixando um pouco de luz entrar e iluminar o corpo do outro, que erguia sua cabeça assustado e encarava Ciel com os olhos arregalados.
– O que está acontecendo, Alois? – Perguntou, encostando a porta e caminhando sobre aquela escuridão até o colchão. O menor não respondia, apenas encarava o outro com os olhos cheios de lágrimas, já inchados do tanto que chorou. Encolheu-se mais na parede e foi abaixando a cabeça, já deixando que mais lágrimas voltassem a escorrer sobre seu rosto. Vendo que não tentaria nada, Ciel sentou-se no colchão de frente para o outro, abraçando seus joelhos da mesma forma. – Vamos, diga. Não pode viver aqui para sempre, você tem sua mansão.
Não dormiu. Apenas permaneceu ali, sentado, com seu rosto escondido sobre seus joelhos. Alois não conseguiu dormir, ele só pensava em seu mordomo, no que estaria fazendo e, principalmente, no que ele disse para si, sem se importar em magoá-lo ou não. Nem sequer tentou dormir. Então o dia finalmente chegava, mas não fazia tanta diferença para Alois, que não podia sentir o calor do sol; apenas o frio da escuridão daquele quarto. Sebastian abria a porta de seu quarto e colocava, ao lado de seu colchão, uma bandeija com uma xícara de chá e alguns biscoitos e bolinhos. Seu café da manhã. Alois não sentia fome … Ignorou aquela bandeija e voltou a fechar seus olhos e chorar. Repetia o nome de seu mordomo para si, como um desejo. “Claude … Claude …”, Sebastian, porém, não conseguia ouvir de fora do quarto. Iria apodrecer mais e mais naquele quarto, até que finalmente morresse. Uma morte digna para alguém como Alois, depois do que Claude disse.
Ouviu uma batida na porta e sentiu a luz refletindo sobre seu rosto. Ergueu a cabeça e viu Ciel ali, de pé, perguntando o que estava lhe acontecendo. Foi indo para trás, com um certo medo que Ciel tentasse algo, mas ele só encostou a porta e sentou-se de frente para o loiro, na mesma posição. Suas bochechas ficaram rosadas. Ele ergueu sua cabeça com um sorriso meio forçado nos lábios, mesmo com as lágrimas que continuavam a escorrer. – Ciel … Eu … Nunca quis ter uma mansão, todo esse dinheiro, essa vida que muita gente deseja. Eu só queria ser amado por aquele demônio. Mas … Ele te ama … E conseguiu deixar tudo claro para mim ontem. Sua alma é perfeita, não é? … – O tom de voz de Alois era tão rouco … Diferente de antes, que era algo animado e forte. Alois não tinha forças sequer para falar. – Eu queria ser perfeito para ele. Só para ele. Mas só vemos o ser perfeito quando passamos a amá-lo … Dessa forma, Claude te ama … Q-Que sorte. – Ele abaixava sua cabeça, voltando a soluçar mais e mais. Ciel ouvia cada palavra e, a cada soluço, ele apertava mais seus joelhos. Estava sentindo, pela primeira vez, pena daquele garoto. – E-Ele é louco por você! ♥ – Novamente erguia sua cabeça, abrindo um outro sorriso, enquanto uma de suas mãos limpavam suas lágrimas. – Você tem tanta sorte, Ciel. Ser amado por duas pessoas … Ou mais. E eu só queria uma, meu próprio mordomo. E … Logo meu próprio mordomo conseguiria me trocar por você, se pudesse. Heh, e-eu sou tão podre assim? Então … Por favor … Me deixe ficar até que ele chegue e tire minha alma imprestável, para jogá-la no lixo. Não precisará se preocupar com m-mais nada … Não vai demorar muito, não vai. Um garoto nojento como eu não serve para esse mundo … Qualquer um pode sentir o fedor da minha alma. Claude deve ter se segurado todo esse tempo para não vo … mitar … – E, finalmente, se calou. As lágrimas o calaram. Ele apenas fechou seus olhos e passou a sussurrar. – Tá doendo muito … Não vai demorar … Não vai, não vai … – Repetindo cada vez mais abafado e rouco. Ciel estava tremendo com tudo que ouviu do outro, e o mesmo sequer percebia. Não aguentando mais ficar ali, ele se levantou em silêncio, com seus cabelos tampando seus olhos para que o loiro não visse sua expressão. Retirou-se do quarto e fechou a porta lentamente, voltando a trancá-la. A luz, então, iluminava seu rosto e deixava claro como estava se sentindo: estava perplexo, mal acreditava em tudo que acabara de ouvir e seu único olho exposto deixava uma única lágrima escorrer sobre seu rosto. – Alois … – Sussurrou para si.
Bem, parece que as coisas definitivamente sairiam de controle a partir do que vinha a acontecer: Claude chegou na mansão, e isso, deixava mais do que óbvio que não era plano algum entre os dois, algo muito grave havia acontecido tanto com Alois Trancy como Claude Faustus. ”Isso é um problema. Estamos metidos diretamente com isso, sendo que esse assunto não é um problema nosso. Tch … esse Alois realmente deve ser um garoto tão complexo e explosivo como se mostrou naquela última vez.” - Estava começando a virar um fardo aquilo, mas não poderiam recuar ou simplesmente ficarem na defensiva. Provavelmente, Claude estaria completo de ódio ou determinado em ter de volta Alois, e um enorme mal-entendido se estableceu, pois ficou entendido que foi um plano de sequestro feito por Sebastian e Ciel, talvez como provocação ou para determinar a guerra entre as duas famílias. Se pôs em frente à alguns metros do portão da mansão, impedindo a passagem do outro mordomo totalmente ao espaço do jardim da mansão; foi por pouco, mas não poderia deixá-lo passar mais. O menor e o demônio tentariam um plano arriscado, que seria arrancar informações, no entanto, a parte mais difícil seria impedir que Claude não passasse da mansão, levando em conta o pouco conhecimento de suas habilidades. Mas a discreta arrogância de Sebastian não o deixaria tão enfraquecido desse jeito.
– Quanto tempo, Claude ”Caçador” Faustus. – E expôs o sorriso irônico em frente da carruagem que brutamente parou por sua frente, sendo formidavelmente encarado por Claude. – Dessa vez você não está em seu próprio campo de batalha, se eu fosse você, teria mais cuidado ao passar assim. Desça dessa carruagem, e se sua dúvida for se sua vossa majestade está aqui … sim, está. – Viu que o mordomo cerrou seus olhos e ameaçou avançar com o cavalo, levantando o chicote e pronto para bater contra os cavalos que mais uma vez iriam correr. – Bem, eu não quero ser obrigado em acabar matando um cavalo injustamente, ou simplesmente danificar essa carruagem inteira para impedí-lo de tentar forçar a entrada. Pare, sem pressa e … – Ainda sorrindo, e em tom provocador, sacou as três facas em um movimento rápido de dentro do paletó, deixando-as claramente expostas na frente de seu rosto, em posição de ataque. – Me responda algumas coisas. – Ah, agora as coisas mudariam seus rumos: finalmente Claude descia da carruagem, mas ainda calado. Tudo que ele precisava saber era a localização de Alois. Sebastian precisava fazer todo o tipo de provocação para não permitir sua passagem, e dar um tempo para que seu lorde pudesse perguntar e ter todas as respostas do que estava havendo, e que seriam mais fácilmente tiradas pela boca do loiro.
– Sabe … espero que esteja satisfeito em ter feito ele mesmo se afastar de você. Oras, o que isso significa? Fez isso para ter um pretexto e tentar covardemente sentir o aroma de uma alma que não lhe pertence? Poderia tentar segurar mais suas vontades. Acho que já fez por demais em ter na última vez tentando alterar suas memórias. – E lambendo seus lábios, terminou a última provocação. – Ela continua deliciosa. – Percebeu que o outro demônio tirou de seu bolso também pequenos canivetes, e partiu em sua direção, com o olhar sério e fixado somente no corpo de Sebastian. Os olhos dos dois se tornaram mais rubros, e agora, o mordomo da família Phantomhive tinha duas coisas em mentes: alongar a luta e tirar todas informações possíveis.
– Como pensei. – Resumungou para si, aumentando as chicotadas por cima da pele do cavalo para que ele corresse mais forte. Sua raiva era enorme e aumentava cada vez mais quando se recordava de toda a ousadia do mordomo e do Phantomhive em ter sequestrado Alois Trancy no meio da noite e ter decretado a guerra entre ambas as famílias. No entanto, decidiu parar com a velocidade da carruagem e não tentar esmagar o corpo de Sebastian - mesmo sabendo que seria impossível isso acontecer - e forçar a entrada de uma vez, se controlando um pouco mais e se possível, travar o que poderia ser a última luta dos dois. Se ele conseguisse matar aquele inconveniente mordomo, conseguiria acabar com o contrato dele feito junto com Ciel, deixando aquela alma livre e desimpedida. Ah, Claude~ mesmo vindo pela proteção de Alois, acabava pecando em seus pensamentos pelo jovem Phantomhive, isso era tão errado, que mostrava seu lado hipócrita em toda a determinação de ter ido até lá. Ouviu - e menosprezando - cada palavras provocativa que Sebastian fazia questão em dizer; não havia mudado nada desde o último encontro. Ficou pensando se aquilo faria parte de algum plano, ou se realmente ele complicaria as coisas com aquela recepção irritante. De qualquer forma, não podeira deixar sua guarda abaixada, e muito menos deixar de acompanhar qualquer movimento feito pelo mordomo ou ao seu redor (como outra fuga), só desejava matá-lo e ter de volta o que queria. ”Eu darei um jeito para tirar ele do meu caminho.” - E ajeitando seus óculos, desceu da carruagem e pegou os três pequenos canivetes escondidos em seu bolso, os mesmo objetos que o outro costumava usar.
Sincronizados!! Simplesmente, nenhum deles falhou em rebater as tentativas de furar um ao outro. Sebastian não parava de continuar provocando e dando indiretas para descobrir o que houve na noite anterior para que houvesse a fuga de sua majestade, enquanto Claude permaneceu concentrado e calado, analizando cauculistamente onde conseguir uma distração para nocauteá-lo ou ao menos abrir o espaço da entrada. – Tudo isso é inútil, Sebastian Michaelis. Se pensa que eu realmente ficaria nervoso com essas infantis provocações chegando ao tempo de facilitar para vocês dois, está enganado. Sei que enquanto estamos tendo essa luta que me impede de ir, algo, dentro da mansão, está havendo entre seu mestre e o meu. – Com uma distância, sériamente retrucou. Bem … parecia que estava certo em sua dedução, já que isso arrancou um sorriso de Sebastian. Os dois estavam ofegantes, e um pouco suados. Claude caminhou para dentro da carruagem e pegou algo dentro dela no banco, enquanto poderia ouvir um ”Haaam?” sarcásticamente dito pelo outro demônio. – Será isso. – Sua mão direita se fechou, o que mostrava estar segurando algo firmemente. Largou os outros dois canivetes e deixou um. Este que sobrou, cortou finamente a pele do cavalo que puxava a carruagem, o que deu início ao plano baixo que ele pretendia fazer: aquele corte iria encher o animal de dor, o que faria com que ele corresse para cima de Sebastian na primeira direção, e assim aconteceu; em gargalhadas, Claude aproveitou o descuido dado pelo outro, que se esquivava do enraivecido cavalo, e furou uma parte do braço junto com a roupa do mordmo Phantomhive, usando mais uma vez a dor ao seu favor. – Que descuido lamentável … SEBASTIAN MICHAELIS!!!!! – Suas mãos miraram certeiramente os olhos do mordomo, revelando o que ele escondia em suas mãos: sal grosso. Cegando temporáriamente ou pelo menos causando uma irritação nos olhos deste, o mordomo de Alois corria para dentro do jardim da mansão e indo para a porta da frente em uma rápida corrida. Assim que acabava de entrar, já conseguia sentir o forte e irresistível cheiro da alma de Ciel Phantomhive, que inundava todo o espaço com seu cheiro perfeito. Isso foi até uma vantagem, já que poderia encontrá-lo na mesma hora.
”Bocchan!!” - Pode ouvir bem próximo de si, sendo a voz novamente de Sebastian. Droga, que infortúnio, aquele mordomo sempre dava um jeito de escapar do improvável! Tinha acabado de subir um andar, e pretendia subir em silêncio, mas agora já sendo tarde demais. Lá de cima, poderia ver a odíavel figura de Sebastian o encarando no meio do salão, ainda ao lado da porta de entrada. – Seu paletó não está perfeitamente tratado e com um notável furo nele. Você sequestrou uma criança e nesse momento, era para estar fora daqui gritando de dor e não conseguindo enxergar nada em sua frente. Há algo de errado, creio eu. – Seu desprezo e raiva cresciam cada vez mais. Nem mesmo o cheiro que impregnava a mansão o deixava calmo.
Sebastian: ”Bem, eu agradeço sua preocupação. Realmente, eu cuidarei desse furo em minha vestimenta assim que conseguir deixar os indesejáveis convidados fora daqui. Eu não sequestrei absolutamente ninguém. Essa formidável dupla visita que chegou em nossa mansão, não estavam em nossos planos. Ah … quase ia esquecendo. Quando seu adversário prende estranhamente algo nas suas mãos e joga contra sua face, o mínimo que alguém vulneravelmente possa fazer, é fechar os olhos. Mas se esse detalhe melhorar seu humor, lhe confesso que sinto uma pequena coçeira no canto do meu olho.” – Enquanto Sebastian deixava seu sorriso mais a mostra, Claude novamente desceu cada degrau encarando o mordomo. – Sebastian: ”Bocchan, sei que pode me ouvir. Tudo está melhor agora. Continue onde está e em breve deixarei tudo em segurança para sair.” – Ciel permitiria uma luta dentro da mansão? Não havia jeito de adiar, principalmente por Claude estar próximo tanto de seu lorde, como de Alois. Já preparou-se mais uma vez para pegar os canivetes que conseguiu recuperar enquanto estava no jardim, aliviando o corte em seu braço.
Então, Ciel se retirou. Voltou a ficar sozinho na escuridão, ouvindo a porta ser fechada e logo trancada. Ele novamente erguia sua cabeça e observava o seu “quarto”. Tão vazio. Deixou de abraçar seus joelhos e começou a desamarrar os laços de suas botas, até finalmente retirá-las e deixá-las de pé ao lado do colchão. Foi se deitando aos poucos, até encostar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos. Não dormiu, apenas suspirou e tentou relaxar, algo impossível por estar sozinho naquela escuridão toda do quarto. Era assustador. Retirou seu fraque roxo e usou como cobertor, se encolhendo um pouco mais na cama. Ele voltava a ficar meio trêmulo, mas nem mesmo conseguia ver o motivo. Afinal … Estava ali para morrer, não é? Talvez estivesse com medo da morte, pois não era o que realmente queria. Como se estivesse se forçando a morrer. Era estranho, ora ele ficava com medo e sentia vontade de fugir dali e ora ele se lembrava das palavras de Claude e a vontade de morrer voltava.
Alois já voltava a se sentir fraco e cansado, apesar disso, ele não conseguia dormir. Lhe faltava o conforto de seu mordomo. Escondeu seu rosto sobre o travesseiro e virou-se de costas para a porta de seu quarto, esperando que não aguentasse e acabasse desmaiando de cansaço; seria a única forma para acabar dormindo ali. Não ouvia nada do outro lado, mal conseguia imaginar o que os dois poderiam estar pensando ou fazendo. Talvez em torturar Alois? Não, Ciel havia acabo de se preocupar com o mesmo, lhe perguntando o que estava havendo. Isso foi algo raro. Na mansão Trancy, Hannah e os trigêmeos estavam no jardim, imaginado que seu mestre já estava morto e que seria tarde demais assim que Claude chegasse lá. “Aquele garoto provávelmente já deve ter torturado-o demais”, pensou Hannah, enquanto os três conversavam entre si.
– Ele … Dormiu? – Perguntou para si mesmo, observando o outro pela janela de fora da porta. Já havia limpado sua lágrima e se acalmado. Alois se deitava sobre o colchão, de costas para a porta; isso fez Ciel entender que o mesmo acabou caindo no sono. Não ouvia mais nenhum soluço ou suspiro, mas não conseguia ver se as lágrimas do mesmo continuavam ou não. Suspirando, fechou a janela e se afastou, saindo do corredor e correndo até a sala de entrada de sua mansão. Lá, encontrou os dois mordomos se encarando, já preparados para uma luta. Não permitiria uma bagunça dentro de sua mansão, ainda mais por culpa do mordomo rival. – Sebastian! – Ciel então aparecia em frente à porta da entrada da mansão. Assim que viu Claude ali nas escadas, o menor congelou. Estava correndo um grande perigo por ter aparecido ali na frente daquele mordomo, sabia que este não conseguiria se controlar por tanto tempo com o cheiro da alma de Ciel mais forte, agora. Sem que Ciel mandasse, rapidamente Sebastian se enfiou em frente ao seu lorde, tampando-o como uma força de protegê-lo, antes que Claude avançasse. Ciel repousou suas mãos nas costas do outro e apertou, com um pouco de raiva.
– Eu disse para não deixá-lo entrar na mansão, Sebastian! – Mas, até que não era tão ruim assim. Desse jeito, Claude poderia encontrar seu mestre logo e entender o que estava acontecendo com o mesmo. Lembrando-se de cada palavra do loiro, Ciel levemente encostava sua cabeça nas costas do outro e sussurrava. – Leve-o até o quarto onde Alois está. Ele … Não quer essa rivalidade toda, só quer o amor daquele demônio. Mas Claude não é como você que consegue retribuir, Sebastian … Alois está esperando seu mordomo apenas para que este possa matá-lo ali. Apenas leve-o até lá e deixe que se virem! – Claude apenas pôde ouvir a última frase, e pôde entender que Alois ainda estava vivo, porém, trancado. Viu Sebastian voltar a encarar Claude, meio pensativo. Seria certo levar o mesmo até o quarto e deixar Ciel sozinho por alguns instantes? Mas … Levá-lo junto seria um tanto arriscado, Claude poderia acabar avançando em cima dos dois, apesar de saber que Sebastian poderia proteger no mesmo instante. Afastou-se de Sebastian, dando alguns passos de ré. – Me deixe no meu quarto, antes. – Assim, Sebastian pegou-o no colo e subiu as escadas com pressa, passando por Claude antes que o mesmo notasse. Ciel agarrou-o no pescoço com força, meio nervoso, com medo que Claude acabasse seguindo os dois. Mas … Apenas o observou parado nas escadas, indiferente … Teria desistido de sua alma, no fim? Seria um grande alívio, inclusive para Alois.
Assim que chegaram na porta do quarto, Sebastian largou seu lorde, que logo adentrou-se e fechou a porta como uma “proteção”. Seu mordomo poderia cuidar de Claude agora, sem que Ciel ficasse tão nervoso ou assustado. Apenas dirigiu-se até a cama, onde sentou-se pensativo e ansioso. Agora que seu mordomo guiará o outro até o quarto de Alois, poderão se entender e sair de sua mansão, deixando-o em paz e sem se meter mais naquilo. Seria problema deles, apenas.
Rapidamente se pôs em frente ao corpo do menor, como uma proteção momentânea para impedir qualquer chegada de Claude, que deixava claramente seu susto e tensão com os olhos arregalados ao sentir o cheiro atraente de sua alma tão próxima. Será que isso foi um erro? Ah, não. – E irá avançar? – Confrontou o outro demônio, que para a surpresa de todos, continuo calmamente em seu mesmo lugar sem dizer nada e nem agir. Muito suspeito. Entretanto, toda a desconfiança se foi assim que ficou sabendo que o que Alois desejava não era nenhum tipo de rivalidade ou guerra entre os dois, ele se deprimia com o fato da falta de retribuição de amor por Claude e não queria mais nada em sua vida. Tudo isso foi dito por seu lorde, que avisando Sebastian, não queria mais nenhum tipo de luta. Droga, ainda assim, as coisas continuavam arriscadas. Desse modo, eles continuariam mantendo seus dois piores inimigos por perto na mansão, mesmo com grande certeza que não havia nenhum plano lá atrás. ”Yes, my lord.” - Sériamente respondeu a ordem, o obedecendo mesmo com um profundo temor de o mordomo de Alois Trancy tentasse algo, já que era tão dissimulado e bem baixo. Segurou seu lorde no colo e rapidamente cortou caminho para passar pelo lado dele, apoiando-se nos corrimãos e passando em alta velocidade, só sendo notados depois.Ainda olhou para trás, mas continuou vendo que Claude não moveu-se. Bem, isso foi um alívio. Deixou, de modo prático, seu lorde, que entrou para dentro de seu quarto e trancou a porta apenas por precaução. Só restavam os dois. Não sabia se primeiramente falaria algo ou só seguia as ordens, este tipo de atitude é da sua própria personalidade. Mas não queria estragar tudo. – Me sinto surpreso. – Sorriu. – Você realmente seguiu meu conselho e manteve seu auto controle. Esperava ter que mais uma vez lutar, mesmo sendo que dessa vez não teria nada para ter me cegar. – E provocou, passando vagarosamente ao lado de Claude e acenando com suas mãos para acompanhá-lo. – Me siga até o andar de baixo, que é onde o senhor Alois Trancy se encontra. Eu irei abrir a porta e vocês poderão se resolver. Mas … – Deixando propositalmente à mostra o canivete que retirou e deixou em suas mãos, eles finalmente chegavam em frente à porta do quarto. Alois continuava lá, em silêncio. – Como eu não confio em você, ficarei por perto, mas com privacidade para vocês dois. – Por todo o momento, o outro não o respondia. E agora, tudo estava perto para terminar … quem sabe.
Ele preferia ficar parado, não se deixar ser vencido por toda a atração que sentia pela alma de Ciel e piorar a situação. No fundo, ele queria avançar e tirar mais uma vez Sebastian do seu caminho e ter de uma vez o menor, mas saberia que precisaria de muito mais do que simples golpes, nunca seria tão simples. Viu os dois passando ao seu lado, e nada fez, só ajeitando seu óculos como sempre e esperando que o outro voltasse e levasse até onde estava sua majestade. Talvez Alois não tivesse dito nada para eles, pois provavelmente o Phantomhive poderia ter dito algo; mas era uma bobeira em vão, os três sabiam o que ele sentia depois de tudo que passaram. Sebastian voltou. O seguiu pelo que supostamente seria o caminho do quarto onde se encontrava o loiro, e não se deixando levar pelas provocações feitas contra ele pelo mordomo, deixou seu único canivete que sobrou já preparado nas suas mãos. ”Sebastian Michaelis não é ingênuo. E apesar de tudo, mesmo sendo uma criança, Ciel Phantomhive não seria tão idiota assim, pode haver algo.” - Deixou uma distância entre os dois, para não ser pego desprevinido.
Parou em frente da porta de entrada do quarto. Ela não era tão nova assim, sendo um curioso contraste se for comparada com a riqueza arrumação e como é tratado cada objeto da mansão. Talvez fosse proposital, não? Era isso que Alois merecia depois de tanto ataque aos dois. Ao entrar no quarto, se deparou com o estado de sua majestade que se deitava no colchão com o rosto para o lado e com uma feição cansa que ele conhecia. Ah, que péssimo. Esperava que dessa vez, do seu próprio jeito, poderia fazê-lo desistir do que queria e sair daquele indesejado lugar. Ouviu a porta se batendo sem ser trancada, os passos de Sebastian foram se distanciando.
– My majesty, acorde. – Em timbre sereno, tirou o cabelo que cobria o seu rosto enquanto via ele pouco se movimentando. Olhou ao redor, e viu como aquele quarto era assustador. ”Ele encarou o escuro.” E ao lado, uma bandeija com alguns alimentos que não aparentava ter sido mexida.
Alois, lentamente, ia abrindo os olhos. Aquela voz … Claude! O loiro lentamente vou se virando, deixando claro para o outro sua falta de força e o quanto estava cansado. Finalmente Alois, então, revelava seu rosto cheio de marcas de lágrimas e seus claros olhos azuis brilhando em meio a tanta escuridão; logo, eles se encheram de lágrimas, porém … Alois não caiu em soluços e choro, ele apenas sorriu e deixou suas lágrimas voltarem a escorrer sobre seu rosto. Lentamente foi caindo, fazendo sua cabeça se encontrar novamente com o travesseiro e tinha apenas seu casaco como cobertor. – Que bom … Você veio … – Ele encarou com um simpático e inocente sorriso aquele rosto meio confuso do maior, que esperaria alguns xingamentos e gritos vindo do loiro. Assim que o maior ficou ao lado do colchão, Alois apenas virou-se um pouco para frente para que pudesse vê-lo melhor, quem sabe, pela última vez. – Está doendo muito. Vamos … Já pode começar. Veio por causa do fim do contrato, não é? Quanto mais cedo acabar com isso, mais cedo ficará livre, Claude … Faça-o como quiser, mas termine logo com isso. – Suas lágrimas escorriam até seu travesseiro; algumas até seu queixo e acabavam caindo no colchão. Ele não tirava os olhos do outro, que se agachava e aproximava mais seu rosto ao corpo do outro. – Você não precisa se sentir forçado a comer minha alma, Claude … Jogue-a no lixo, assim que terminar. ♥ – Então … Alois realmente estava falando sério. Aquelas lágrimas mostravam isso, junto ao medo que estava sentindo, apesar de estar sorrindo e mostrar-se calmo. Ele sorriu mais e fechou seus olhos, deixando o resto com seu mordomo.
Ao invés de sentir a primeira dor sobre seu corpo, Alois sentiu-se nos braços de seu mordomo que se levantava com o menor em seu colo. Este não erguia seus braços e o agarrava seu pescoço para se apoiar, apenas repousou uma de suas mãos sobre seu peito, voltando a apertá-lo. – Ei … É aqui que Ciel mora … Por que não tenta ter um contrato com ele, assim que terminar aqui? – Seu peito doía cada vez mais com o que dizia. Sua voz era tão rouca e baixa … E, algumas vezes, fazia algumas pausas entre as palavras. Claude nunca viu o menor naquele estado. – Claude … – Ele erguia seus braços e, finalmente, o “abraçava” pelo pescoço. Um abraço tão fraco. – A-Aquilo que não presta será jogado ao lixo … Jogado ao lixo, jogado ao lixo … Aquilo que não presta será jogado … Lixo … Meu-amado-mordomo~ – Sim, ele referia-se à sua alma, cantando baixinho ao ritmo de “London Bridge is Falling Down”. Houve um grande silêncio ali. Na última frase, Alois acariciou o rosto de Claude até fechar os olhos e, finalmente, desmaiar de cansaço. Aquilo já era esperado de uma criança que não dormiu por uma noite por chorar tanto. O corpo de Alois, então, era totalmente de Claude novamente. Seja lá o que fosse fazer, o loiro não o evitaria.
E começou as primeiras reações. Alois ia se revirando no colchão, já reconhecendo a figura de seu mordomo. Esperava ser xingado, tomar algum tapa - que ainda nunca havia tomado - ou ser expulso de lá, tudo isso fazia parte da difícil personalidade que ele estava acostumado de sua majestade, mesmo que o loiro sempre o tratasse como a única exceção daquelas coisas. Ele finalmente mostrou seu rosto, o fundo dos olhos até inchados e meio escurecidos, as lágrimas ainda correndo naturalmente e um sorriso que se mostrava tão inocente e melancólico, como se não tivesse força para mais nada. Sinceramente? Nenhum pingo de remorso vindo de Claude, ele só compreendia a força de suas palavras contra o loiro, e sabia que nada seria exagerado vindo dele. Começou ouvindo tudo o que já esperava: ele implorando para logo ser morto e ter sua alma descartada, romper o contrato e depois tentar firmar um ao lado de Ciel, ou simplesmente abandoná-lo. O demônio não se importava muito com o que ouvia, ele era o único que conhecia realmente Alois Trancy, e nunca deixaria de entendê-lo. Depois de mais chorar e implorar, ele apenas se calou enquanto deitou totalmente no colchão e fechou seus olhos, como se estivesse esperando a morte certa, sem dizer mais nada. E assim, o mesmo fez o mordomo, que só aproximou-se mais em sua posição agachada e pôs o corpo do menor em seu colo, sem sentir qualquer hesitação, no entanto, nem alguma ”colaboração”; ele ficava solto, sem apoiar suas mãos no pescoço ou se mover. ”Isso não está certo. Na verdade, acabando com o contrato. Ah … my majesty.” - Lamentou em seus pensamentos. A voz fraca do loiro até de certo modo era um alívio, já que não precisava preocupar-se com qualquer contrariedade, ele poderia seguir até de volta à mansão, no caso, sem a ajuda da carruagem.
– Sebastian Michaelis, estamos indo. Obrigado pela breve estadia na mansão, e agradeça também ao lorde Ciel. Até algum próximo encontro. – Em nenhum momento, ele parava para dizer tudo isso ou olhar em seus olhos. Foi andando para fora da porta de entrada, que já estava aberta, e andou até a saída. Tudo estava normal, até que ouviu ”A-Aquilo que não presta será jogado ao lixo … Jogado ao lixo, jogado ao lixo … Aquilo que não presta será jogado … Lixo … Meu-amado-mordomo~” - Sim. Uma referência à música London Bridge is Falling Down, imitando o seu rítmo e mudando a letra. Ah, aquilo soou tão cruel, tão … Alois. – Entendo. – Encarou o loiro, que ainda alisou seu rosto até enfim parar com qualquer movimento. Não caiu em sono total, seus olhos ficavam muito cerrados, estando impedindo de falar, mas não de ouvir. O caminho estava livre, os passarinhos mais uma vez voltavam a cantar e a manhã, em breve, se transformaria em tarde.
– Minha majestade … você pode me ouvir. Estaremos voltando ao nosso mundo novamente, e juntos. Não só juntos físicamente, mas de todos os jeitos, como prometemos naquele contrato. Eu apoiarei você e te desejarei como sempre, e você sabe disso. Não precisa fazer nada para chamar a atenção ou fugir. O senhor é único, e por isso, sabe que somente eu posso entendê-lo e poder ser dono de sua alma e deste frágil corpo que precisa de mim para apoiar. Nunca mais se distancie. Você é especial, você é minha majestade, e provará isso se vingando de todos que um dia tentaram corrompê-lo ou lhe atingir. Isso nunca mais voltará acontecer, não enquanto eu estiver ao seu lado. Nem Sebastian Michaelis e nem Ciel Phantomhive. – Não conseguiu ver nem um sorriso ou qualquer reação, mas via que ele estava acordado. Bem … a viagem seria longa até voltarem. Talvez, por questão de horas.
Demorou algumas horas para Alois finalmente acordar. Sim, ele ouviu cada palavra dita para o maior, porém, não preferiu dizer nada. Além de não possuir mais forças, aquelas palavras não mudaram muita coisa para Alois. “Sempre, sempre o mesmo sentido nas palavras … Seria mais fácil guardar saliva ao invés de me enrolar”, pensou. Logo seu mordomo percebia que ele finalmente acordava e se encaravam, até o loiro pedir para descer do colo do outro; o mordomo, então, o obedeceu e o deixou de pé no chão. Alois permaneceu parado e quieto; suas lágrimas, finalmente, havia parado de escorrer sobre seu rosto. Apenas esperou que Claude passasse e continuasse seu rumo até a mansão, que já estava bem próxima. Alois a encarava com desgosto, como se não quisesse voltar a viver aquela vida por lá. “Não … Era para você ter me matado, Claude.”, sussurrou. Foi dando alguns passos para trás, até que Alois virou-se de costas para o maior e saiu correndo, tentando fugir mais uma vez. Não adiantou muito: Logo sentiu sua cabeça batendo em algo macio … Claude. Com um olhar triste e vazio, o menor abaixou a cabeça e deixou ser carregado pelo maior mais uma vez; dessa forma, não tentaria fugir novamente.
Os portões da mansão finalmente se abriam e Hannah observava, de longe, o corpo de seu mestre sendo carregado pelo outro. Morto? Não, sentiu um enorme alívio ao ver seus olhos abertos, mas ainda tristes. Passaram pela empregada mais os trigêmeos que observaram o corpo sem um ferimento do menor. Alois encarava Hannah com um certo ódio, pensando que foi ela quem contou onde estava quando fugiu. Entraram na mansão e Alois logo foi posto em sua cama, onde virou o rosto e ficou a olhar o céu pela janela, mesmo deitado. – Eu vou fugir denovo. – Disse, chamando a atenção de Claude. – Não vou precisar da ajuda daquela mulher inútil … Eu vou fugir e morrer sozinho. – E virou-se na cama, ficando de costas para o maior e escondendo seu rosto entre o travesseiro. “Aquela mulher inútil” … Então, foi Hannah quem o levou para lá, e não disse nada para Claude. O que o mesmo pensará disso? Alois apenas foi se encolhendo mais sobre a cama e, pelo visto, sua raiva finalmente voltava depois de tantas lágrimas.
Estranhou o pedido do menor de ser posto no chão para andar depois de horas enquanto o demônio andava, e ainda por cima, sem comentar nada sobre suas palavras que havia dito quando começaram a caminhada de retorno desde a mansão dos Phantomhive. Boa coisa não seria, além de que pelo que parece, nada do que disse havia surtido efeito algum, era como se fosse algo irrelevante para o loiro. Sabia que ele havia ouvido tudo o que tinha dito, já que apesar da expressão cansada e distante, seus olhos permaneciam ainda cerrados encarando o céu enquanto era carregado. Mas ele pouco se preocupou, continuava achando a coisa mais normal comparado ao comportamento temperamental do menor que qualquer hora mudaria, só bastava paciência. Atento, conseguiu mais uma vez impedir mais uma fuga que o menor tentaria assim que estava no chão, quando ia começar a correr em vão. ”Isso está ficando cada vez pior, que droga.” Pensou enquanto mais uma vez conseguiu por seu corpo de volta em seu colo, vendo o rosto cabisbaixo e ainda triste. Nada do que disse significou algo, e pela primeira vez. Se sentia como um quase mentiroso que fracassou … bem, poderia ser só uma questão de tempo.
Chegaram na mansão e já eram encarados por Hannah, que aliviada, via os olhos de menosprezo de sua majestade tanto para a mansão quanto para aquela mulher, por uma razão que Claude desconhecia, mas achou que já era por sua própria natureza. Passaram por todos em silêncio, de maneira idêntica como foi na viagem toda. Assim entraram na mansão e foram para o quarto, o loiro era posto na cama e imediatamente virou-se; encarando o céu, repetiu em voz alta, que chamou a atenção do mordomo, que fugiria com ou sem a ajuda de Hannah, chamando-a de inútil. É isso! Então a fuga de sua majestade foi com o auxílio de um dos empregados, logo Hannah. Arregalou os olhos mas sem dizer nada, só prestando atenção no que o loiro dizia. No entanto, não iria se importar com esse assunto agora.
– My majesty. – E ajoelhou-se no chão sem encostar ainda no corpo do menor. – Me desculpa. O que o senhor deseja o que eu faça? Algo como demonstrar o quanto desejo você para que tenha certeza? – Sequer suspirou. Só esperou a resposta que ele lhe daria.
– NÃO! CHEGA DISSO, CLAUDE! – Rapidamente virou-se para o maior e gritou, deixando o outro mais surpreso. O rosto do menor estava levemente rosado, e seus olhos brilhavam; suas mãos começavam a tremer, aos poucos. O olhar de Alois já deixava claro sua raiva para Claude. – Eu não aguento mais! Chega, chega de “my majesty”, “my highness” … EU NUNCA QUIS ISSO, CLAUDE! Não importa o que faça … Você não deixará de amar Ciel, não é? Aquela alma perfeita dele … Seu maior desejo e tê-lo por inteiro, não é?! – Alois finalmente soltava tudo para o outro, como um desabafo. Ele começava a apertar o lençol de sua cama entre seus dedos. – Do que adiantaria melhorar meu humor com atos falsos, Claude? … Uma alma não corrompida … O que seria uma alma não corrompida? Uma alma vindo de alguém que não possui sentimentos, que jamais se sensibiliza? Então … Quer dizer que, por eu mostrar minhas lágrimas e demonstrar o que sinto, transforma minha alma em lixo? Porquê não tive forças para segurar as lágrimas e escolhi mostrá-las, sou fraco? É tão confuso.
Alois erguia sua cabeça e percebia que a teia que acabara destruindo na noite passada havia sido reconstruída e acabava se sentindo encarado pela aranha que havia derrubado. Que lugar desconfortável. – Uma alma, para vocês, se torna suja à partir do momento que alguém mostra seus sentimentos às pessoas. Mas … Não devia ser o contrário? Ter a coragem e assumir o amor para alguém tão desejado não o torna forte? … Você deve estar sentindo náuseas. – Se calou. Lentamente, largou seu casaco roxo na cama e foi descendo, pegando uma toalha branca e limpa do armário e saindo do quarto. – Vou tomar um banho, mesmo que isso não vá me limpar totalmente. Você não precisa vir. – Disse, num tom irônico. Deixou seu mordomo no quarto e foi andando pelo corredor, ignorando a presença de Hannah e os outros três; sua cabeça já estava doendo demais e não queria se estressar mais, afinal, gritar e torturar Hannah não mudará absolutamente nada.
Chegando ao banheiro, Alois fechou a porta e a trancou para que ninguém entrasse. Ligou a torneira para que caísse água morna dentro de sua banheira, enquanto retirava suas meias e seu short junto com sua roupa íntima. Em seguida, retirou seu colete e, lentamente, foi desabotoando sua camisa branca. Desligou a torneira e foi entrando aos poucos, até finalmente se sentar e abraçar seus joelhos, deprimido. Seria seu primeiro banho “sozinho”, mas tudo que queria era ficar um tempo sozinho para pensar e, quem sabe, terminar de descansar.
Ele subestimou. Não, não foi só subestimar os sentimentos e toda a raiva que Alois escondia em seu coração, ele conseguiu fazer algo pior que isso. Aquilo estava se tornando mais diferente ainda, Claude deixou de ser a excessão de toda a raiva e do ”cúmplice obrigado” do loiro para virar mais um que ele gritava e agia com ódio, só não tendo chegado ao ponto ainda de ser esbofeteado ou tomar algum golpe como o menor costumava fazer com Hannah, principalmente, até mesmo pelo motivo menor ou o mais fútil. Ele simplesmente desistiu de tudo, não importava quantas mais investidas Claude pudesse tentar, já estava se tornando impossível. Aos poucos, ele deixou a frieza de lado e agiu mais com os sentimentos, algo até raro para alguém tão indiferente como ele, que agora, assustado, via o loiro fazendo tudo o que quisesse e indo para fora do quarto sem pedir ajuda. Uma leve sensação de arrependimento batia em seu insensível coração, principalmente quando rapidamente lembrava de tudo o que disse no dia anterior e o modo que agora estava sendo tratado, uma enorme reviravolta. Que irônico … agora é ele quem se sentia rebaixado e com raiva de si mesmo, tendo que deixar de lado sua arrogância e o modo que desconsiderava todo o outro. Alois Trancy, que sempre esteve ao seu lado, até mesmo sendo superior, ficava praticamente implorando por carinho.
– E-e-eu não sei o que está havendo … por um momento, me sinto arrependido. Alois Trancy … eu me sinto arrependido. Por que parece que Ciel Phantomhive não é mais tudo aquilo que eu tanto imaginava? Eu sinto algo como se fosse o mesmo que senti no início, antes de ver todos os defeitos de minha majestade. Um desejo, o mesmo desejo de antes. Não posso deixá-lo ir. – Falou com ele mesmo, em tom até que se pudesse ouvir, mas não havia preocupação, já que os outros estavam distantes. Abriu a porta do quarto de sua majestade e caminhou rumo ao banheiro em que ele havia se trancado e já enchia sua banheira. Passou pelos outros empregados sem dar satisfação, sendo encarado por tudo o que acontecia: gritos, as atitudes de Alois, e o modo que o demônio estava sendo tratado pela primeira vez. – Desçam e só voltem mais tarde. – Diretamente deu a ordem, já vendo que os quatro deixavam o andar de cima e iam para baixo. Até mesmo deixou de lado em falar com a mulher sobre ela ter ajudado na fuga; percebeu que foi culpa sua, e além disso, era uma das coisas menos relevantes. No meio do caminho, já tentava preparar o que dizer quando estivesse de frente com Alois, sabendo que seria provavelmente expulso de lá.
Conhecendo muito bem todos os ”truques” da mansão, simplesmente fez um modo de destrancar a porta usando seu menor dedo da mão. Aos poucos, sentia a trava indo para o lado, ainda sem chamar muita atenção. Pela primeira vez, inéditamente seu coração batia forte e também sua majestade tomava o primeiro banho sozinho. Isso estava muito errado. Deu um último suspiro e arreganhou a porta em um movimento, mostrando-se decidido. Rapidamente, a fechou, podendo ver a posição em que o loiro estava, e a fitada que ele deu assim que o viu dentro do banheiro. Foi ousado. – My majesty. Não pode fazer absolutamente nada sozinho. – E continuou olhando para ele na banheira.– Eu já mandei você parar com esse “my majesty”! – Gritou. Largava seus joelhos e ia se encolhendo num dos cantos da banheira, até uma de suas mãos começar a jogar a água da banheira para fora, acertando o rosto do outro. Não ia fazer diferença para o mordomo, que retirava seus óculos e os guardava sobre uma mesa ao lado da banheira. Com as bochechas avermelhadas, Alois virava seu rosto, parando de jogar a água quente para fora. – Eu consigo tomar banho sozinho! Me dê licença! – Disse, abafado. Como resposta, sentiu ser puxado por uma das mãos do outro, ficando totalmente próximo do outro. Sentia medo de encarar aquele rosto e ver a mesma expressão. Como impulso, repousou suas mãos sobre os ombros de Claude, sem medo de acabar molhando o outro ou não. Finalmente sentia a esponja, já ensaboada, sobre suas costas; Alois sentia um forte calafrio mas se segurava para não gemer na frente do maior. Para se segurar melhor, envolveu seus braços no pescoço do outro e o abraçou, escondendo seu rosto envergonhado. Que banho estranho. Alois sentia fortes calafrios com cada toque da esponja morna sobre sua pele. – Eu só quero que sinta aquele amor por Ciel por mim … Eu quero ser amado, de verdade, por você, Claude. Apenas por você. – Rapidamente tampou sua boca. Aquelas palavras saíram sem mesmo o menor perceber! Os rostos se afastavam e finalmente se encaravam, sem que Alois largasse o pescoço do outro. Os olhos de Alois brilharam mais ao ver aquela face e, lentamente, levava sua mão até o rosto de Claude, alisando-o em uma das bochechas. – Você … Finalmente mudou, Claude. – Sussurrou.
Os dois rostos voltavam a se aproximar, até que seus lábios novamente se encostaram. Alois não sabia bem como “beijar”, portanto, deixaria que Claude o ensinasse. Enquanto isso, ficou apenas enroscando seus lábios sobre os dele. Alois abria um pouco seus olhos para espiar a reação do outro e sentia um enorme alívio ao vê-lo de olhos fechados. Melhor: Suas bochechas acabaram ficando levemente rosadas, tal como as de Alois. “Claude … O que está passando por sua mente, agora?”, perguntou para si mesmo em meio aos milhares de pensamentos. Forçou um pouco mais o abraço, deixando as roupas de seu amado cada vez mais molhadas com seus toques. Aquela sensação … Tão relaxante. Era apenas aquilo que Alois queria: os carinhos, o amor de Claude. Com os braços envolvidos no pescoço do maior, passou a puxá-lo para dentro da banheira, onde Claude apenas colocava seus braços dentro da água morna para se apoiar. Seus lábios finalmente se encaixavam de vez. O primeiro beijo “de verdade” de Alois … Foi como se o tempo tivesse parado. Um pouco de saliva escorria para fora e caía sobre a água da banheira.
O beijo logo foi parado quando o menor precisou recuperar fôlego. Porém, ao invés de pararem por ali e continuarem com o banho, eles só aproximaram-se mais e voltaram com os beijos. Nada, ninguém poderá atrapá-lhos agora. De fato, Alois desejava que aquilo nunca mais parasse. Ele arranhava a nuca do outro de uma forma meio leve e, ao mesmo tempo, bruta. Era tudo reação ao seu primeiro beijo. A esponjava continuava a boiar sobre a água; esqueceram-se do banho, então.
Ah, aquela sua chegada sem dúvidas foi um tanto que surpreendente para o menor. Claude suspirava aliviado ao ver todos aqueles atos finalmente ”normais” de sua majestade, que seria de jogar água quente contra seu rosto, enquanto retirava os óculos, e logo depois se encostar na banheira com as bochechas mais avermelhadas retrucando que poderia tomar banho sozinho. Bem, agora assim o mordomo teria mais liberdade. Sem perder tempo, puxou as mãos do loiro que como resposta, teve seus ombros molhados pelas mãos de Alois com a água morna; pegou a esponja que estava na beira da banheira e começou a arrastar em toda a pele branca do loiro, pouco se importando se seu paletó era molhado e ficando desarrumado. Tudo o que queria era ficar próximo, aproveitar totalmente Alois, sem pensar em Ciel hora alguma. A esponja provocaria pequenos gemidos que normalmente, o loiro soltaria-os, mas por puro orgulho permaneceu calado ainda. Ele abraçou Claude. ”Mais próximos. É como se eu pudesse sentir algo que me chamasse também para perto.” - Tão estranho o demônio desejar toda aquela aproximação. Mais do seu paletó foi molhado, enquanto ele com mais facilidade ia molhando e limpando todo o pequeno corpo. Ouvia, agora em um tom de voz carinhoso, bem parecido com o de quando admtia que o amava, que ele só queria ter o amor que seu mordomo sentia pelo lorde Ciel, isso porque mal sabia que Claude já estava praticamente o desejando de um modo que nunca aconteceu. – Você o terá, my highness … – Como se sentisse enfraquecido e literalmente atraído pelo loiro, as ensaboadas pararam e o abraço meio que foi desfeito. Um braço de Alois continuou envolvido em seu pescoço, enquanto sua outra mão alisava o canto do rosto do mordomo com um detalhe único: começou a ficar em um estado corado, por pouco, não ficou claro. Então ele realmente mudou, e aquilo virou uma prova única. Seus olhos continuavam um no caminho do outro, estavam estáticos como se preparassem para um beijo. Algo que poderia ter saído tão fácil como antes, com tantas insinuações, aconteceriam depois de quase o contrato entre os dois ter seu fim.
– My … highness … – E com uma voz extremamente abafada, não segurou mais o toque até inocente dos dois nos lábios e iam se beijando aos poucos. Alois, mesmo com tudo que passou, não sabia como era aquilo. Enquanto Claude, com todo o gosto e a intensidade daquele toque, não conseguia mais resistir para nada. Foi tudo aos poucos, até mesmo com o mordomo fechando os seus olhos e ficando totalmente ”entregue”. Seus lábios encaixaram-se, e um pouco desordenados, os dois começaram a se beijar de um jeito tão lento e até carinhoso, que um pouco de saliva escorria por cima da água. A esponja foi solta e boiava em meio a banheira, e ao invés de usarem a pausa do beijo para voltarem ao banho, o fôlego de Alois foi tomado de novo por outro beijo, dessa vez, melhor que o primeiro. Ia ficando cada vez mais profundo o quanto o maior ia sentindo todo o aroma daquela pele, saciando o desejo que apareceu no quarto quando ele se foi.
– Arrgh~ – Gemeu, se controlando, sentindo as unhas do outro arranhando sua nuca como reação. Aos poucos pareciam ficar acostumados. Para o mordomo, ele precisava mais do que aquilo; conseguindo se ajeitar, deu continuidade ao beijo enquanto toda a sua mão alisava por perto da barriga - e variando com alguns pequenos apertos que tiravam baixos gemidos do loiro - até, sem intenção, tocou na ponta do membro do menor descobrindo seu estado ereto. – Heh~ – Disse em meio ao beijo, provavelmente dando sinal ao menor o que havia acabado de fazer.
Day into night, sugar into salt, living to dead and dark blue into gold. That's what makes a Trancy butler.